Nordeste concentra exposição de crianças e adolescentes a riscos ambientais

Blog do  Amaury Alencar
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O Nordeste está entre as regiões brasileiras com maior vulnerabilidade climática para crianças e adolescentes, segundo uma nota técnica divulgada nesta quinta-feira (23) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela organização Vital Strategies. O levantamento foi elaborado a partir do Painel Crianças e Meio Ambiente, ferramenta voltada ao planejamento de políticas públicas.

A região aparece ao lado do Norte e do Centro-Oeste com a maior concentração de municípios que acumulam dez ou mais indicadores classificados como de alta prioridade, o que pode indicar a necessidade de ações imediatas para reduzir riscos ambientais que afetam a população infantojuvenil. A maior taxa foi registrada na região Norte, onde cerca de 42% dos municípios se enquadram nessa categoria. Nordeste e Centro-Oeste registram cerca de 6% nesse quesito.

Segundo a Unicef, vulnerabilidade climática é o termo que descreve a exposição a exposição de crianças a riscos ambientais (como calor extremo, secas e poluição), agravada por carências na infraestrutura social e por suas próprias limitações biológicas, já que seus corpos e sistemas de regulação de temperatura ainda estão em desenvolvimento.

O órgão classifica esse índice combinando fatores que afetam o pleno desenvolvimento infanto-juvenil. Entre as 30 cidades brasileiras com maior concentração de vulnerabilidades climáticas para crianças e adolescentes, quatro estão no Nordeste, o equivalente a 13% do total. 24 estão no Norte e 2 no Centro-Oeste, em Mato Grosso.

A pesquisa

O painel reúne 14 indicadores relacionados à qualidade do ar, infraestrutura ambiental e urbana, eventos climáticos extremos e condições do ambiente escolar. Os municípios foram comparados com cidades de porte populacional semelhante e classificados em diferentes níveis de prioridade.

Na avaliação sobre eventos extremos, o levantamento mostra que, embora o Nordeste seja historicamente associado à seca, poucos municípios aparecem hoje entre os de maior prioridade nesse indicador. Segundo os pesquisadores, isso ocorre porque a metodologia considera o aumento recente da frequência das secas. Como o semiárido convive historicamente com o fenômeno, outras regiões, como Sudeste e Centro-Oeste, registraram mudanças mais acentuadas no período analisado.

Além da seca, áreas do Nordeste também figuram entre as mais vulneráveis às ondas de calor. O mapa do estudo mostra uma faixa de municípios nordestinos classificada em alta prioridade para esse tipo de evento extremo.

Voltado à gestão pública, o Painel Crianças e Meio Ambiente oferece recomendações baseadas em orientações do governo federal, do Unicef e da Organização Mundial da Saúde (OMS) para auxiliar estados e municípios na elaboração de políticas públicas que protejam crianças e adolescentes dos impactos das mudanças climáticas.

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