
O Governo Federal decidiu adiar as discussões no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) sobre a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32% (E32). Segundo o Executivo, o objetivo do adiamento é ampliar o diálogo com o setor e evitar que a aprovação da medida gere novas pressões no Congresso Nacional.
A chamada subvenção ao etanol tem sido discutida na Câmara dos Deputados por meio do Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 114/2026 e surge como alternativa de compensação diante dos subsídios federais concedidos à gasolina.
Inicialmente, a discussão sobre o aumento da mistura estava prevista para a última quarta-feira (8/7), mas foi adiada após pressão de representantes do setor de combustíveis. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), informou que o novo encontro será realizado na próxima terça-feira, 14 de julho.
Ele também ressaltou que o “Governo Federal segue comprometido em retirar o subsídio que está sendo dado à gasolina, necessitando apenas de mais tempo para aguardar a estabilização do preço decorrente do conflito no Irã”.
Esta não é a primeira vez que a reunião do CNPE é adiada. O Governo Federal tenta realizar o encontro desde maio, mas outras pautas têm provocado divergências, como a mudança na política de oferta de gás natural da União e a criação de um mecanismo para suspender temporariamente as dívidas da Eletronuclear.
Na última semana, inclusive, o governo retirou de pauta outros assuntos importantes da política energética, como as discussões sobre a resolução referente ao gás.
Sindipostos-CE
O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Ceará (Sindipostos-CE) analisa a medida sob diferentes perspectivas.
A primeira avaliação da entidade é de normalidade. Para o assessor de Assuntos Econômicos do sindicato, Antônio José Costa, o aumento do teor de etanol anidro na gasolina não deverá afetar os veículos flex.
“O Sindipostos recebe a informação desse aumento de 30% para 32% na quantidade de etanol presente na gasolina como um fato normal, porque, na realidade, não haverá mudança para os carros flex, pois eles estão adaptados a diferentes proporções da mistura”, destacou.
A segunda perspectiva da entidade envolve preocupações com os consumidores que possuem veículos importados ou mais antigos. “No entanto, no caso de carros importados e antigos que não são flex, poderá haver alguma dificuldade, sendo necessária uma regulagem no sistema para que eles se adaptem à nova mistura”, observou Antônio José.
A terceira análise do Sindipostos-CE está relacionada aos esforços do Executivo Federal para conter os impactos inflacionários. Na avaliação da entidade, porém, o consumidor final não deverá obter ganhos significativos.
“É mais uma alternativa que o governo tenta encontrar para reduzir a inflação. No entanto, trata-se de um ledo engano, pois, embora o etanol tenha um preço menor, sua queima é maior. Assim, o consumo do veículo aumentará, fazendo com que, no fim, o consumidor pague mais pelo combustível”, explicou o assessor de Assuntos Econômicos do sindicato.