Letramento financeiro pode reduzir endividamento e melhorar decisões de consumo

Blog do  Amaury Alencar
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Uma pesquisa do Banco Central, em parceria com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mediu o nível de letramento financeiro da população. O estudo, que analisou comportamento financeiro, atitude (ou postura) ao fazer escolhas financeiras e conhecimento sobre finanças, mostrou que esse nível é de 59,6%, sendo que 75% chegaram a 70 pontos, no máximo, na análise de 0 e 100.

A pesquisa detalhou que mulheres, idosos e pessoas com renda familiar de até 2 salários-mínimos são as que menos possuem esse conhecimento financeiro. O Nordeste concentra a maior necessidade de letramento. Na outra ponta, pessoas com maior escolaridade têm mais letramento e, consequentemente, mais investimentos em produtos como poupança, seguros e créditos.

Já o banco Itaú, juntamente com o Grupo Consumoteca, pesquisou sobre como o brasileiro tem discutido o tema. Para 78% dos entrevistados, o assunto é abordado na família, entre amigos e nas redes sociais, sendo que 81% assumem que o dinheiro é uma preocupação cotidiana.

Essa temática entrou na pauta de discussões políticas e, nesta semana, o Senado Federal aprovou a inclusão da educação financeira nos ensinos fundamental e médio. O texto indica uma atuação transversal com o objetivo de garantir que os alunos aprendam, cada vez mais cedo, a lidar de forma consciente com o dinheiro e assim prevenir o endividamento futuro. A ideia é que o ensino sobre finanças seja encaixado nas disciplinas existentes, como matemática, história e geografia.

Para a economista da FGV Ibre e professora da UNIFOR, Isadora Osterno, a educação financeira deve ir além da ideia de ensinar apenas a economizar, mas desenvolver a capacidade de tomar decisões conscientes ao longo da vida. “Alguns conteúdos são fundamentais. O primeiro é a matemática financeira, para que os estudantes compreendam conceitos como juros compostos, inflação, valor do dinheiro no tempo e financiamento. O segundo é o custo de oportunidade, que ajuda a entender que toda escolha envolve renúncias e que decisões de consumo têm impactos futuros”, explica.

A docente destaca que o acesso ao crédito e aos serviços financeiros trouxe benefícios, mas também aumentou a necessidade de educação financeira. “Muitas decisões acabam sendo tomadas considerando apenas o impacto imediato no orçamento, sem uma avaliação mais ampla dos custos e das consequências futuras. Por isso, ampliar o acesso à educação financeira pode contribuir para decisões mais informadas e sustentáveis”, avalia.

Sobre a “receita do bolo” para as famílias terem equilíbrio financeiro, Isadora Osterno disse não existir uma fórmula, porque as famílias têm níveis de renda, necessidades e realidades muito diferentes, contudo alguns princípios costumam contribuir para esse equilíbrio. “Primeiro conhecer o próprio orçamento, registrando receitas e despesas. Segundo, evitar que o comprometimento da renda com dívidas inviabilize o pagamento das despesas essenciais. Outro ponto relevante é a formação de uma reserva de emergência, adequada à realidade de cada família, para lidar com imprevistos sem recorrer ao endividamento”, detalha a professora.

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