Inadimplência em condomínios dispara e pressiona gestão de mais de 7 mil empreendimentos em Fortaleza

Blog do  Amaury Alencar
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“Eu acho justo o pagamento da minha taxa de condomínio, pois o atual síndico cuida como se fosse a casa dele. É tudo muito limpo e de qualidade. Durante a copa, por exemplo, tivemos decoração, telão, então vale a pena”, disse a advogada, Bruna Cardoso, que paga o equivalente a 22% da prestação do imóvel em cota condominial.

Essa satisfação não se reflete nos dados financeiros dos condomínios Brasil afora. Segundo o Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil (IEPTB) subiu 569% o número de protestos por inadimplência condominial no Brasil, em 2025. Os protestos em cartório saíram de 15.071, em 2024, para 100.815 documentos protestados no ano passado. O montante financeiro se aproximou de R$ 200 milhões, aumento de 577% em um ano.

Essa preocupação também atinge os condomínios cearenses, é o que afirma a Associação dos Síndicos do Ceará (AssosíndicosCE). “A inadimplência das taxas condominiais continua sendo um dos principais desafios da gestão de condomínios em Fortaleza e em todo o país. Embora não exista um indicador oficial estadual consolidado, levantamentos do setor apontam que o Estado figura entre os maiores índices de inadimplência do país, com percentual em torno de 16% das unidades em atraso superior a 30 dias”, alerta a presidente da entidade, Daniely Galiza.

Para ela, esse cenário exige dos síndicos uma gestão financeira cada vez mais eficiente e preventiva, pois o impacto recai diretamente sobre a manutenção de serviços essenciais como a segurança e a conservação dos condomínios.

A Daniely explica que essa inadimplência é resultado de diversos fatores que vão desde a perda da capacidade financeira das famílias, passando pelo aumento do custo de vida, desemprego ou redução da renda, além do crescimento das despesas condominiais. “Também observamos casos em que o morador prioriza outras obrigações financeiras, deixando a taxa condominial em segundo plano, sem perceber que ela é essencial para o funcionamento do condomínio”, disse.

Como mitigar

De acordo com o CEO da MyBlue, Raphael Fontoura, as saídas para enfrentar esse problema passam por estratégias de previsão orçamentária, que mantenha a taxa condominial compatível com a realidade financeira dos moradores e meios de pagamento para facilitar a quitação das cotas e a adoção de políticas de negociação de débitos. “Além disso, é fundamental que as ações de cobrança sigam uma régua estruturada e adequada ao perfil de cada condomínio, buscando recuperar os valores em atraso sem comprometer o relacionamento com os condôminos”, observa.

Outras medidas apontadas como alternativas para aliviar o problema são a transparência na aplicação dos recursos, acompanhamento constante da inadimplência e criação de reservas que minimizem impactos temporários.

Efeitos jurídicos

As decisões acerca das dívidas condominiais estão pacificadas no meio jurídico, pois o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já tem entendimentos que reconhecem a possibilidade de penhora em processos relacionados a débitos de condomínio, uma vez que a obrigação condominial acompanha o próprio imóvel.

O setor

A Associação das Administradoras de Condomínios do Estado do Ceará (Adconce) aponta a existência de mais de 7 mil condomínios, em Fortaleza, que geram cerca de 40 mil empregos diretos.

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