Morreu na manhã desta quinta-feira, 16, o jornalista carioca Renato Machado, aos 83 anos. A causa não foi divulgada. Ele estava internado em uma clínica privada na zona sul do Rio de Janeiro.Referência no telejornalismo do Brasil, Renato estabeleceu, ao longo de quatro décadas, uma carreira significativa na TV Globo. Foi editor-chefe e âncora do "Bom Dia Brasil" de 1996 a 2011, período em que reformulou o programa.
Renato chegou a integrar a bancada do "Jornal Nacional", além de ter atuado como correspondente internacional, colunista e repórter especial. Relembre a trajetória do jornalista a seguir.
Nascido em 21 de março de 1943, Renato iniciou sua trajetória profissional no teatro e no cinema. As informações são do portal Memória Globo.Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, optou pela atuação artística no Teatro Oficina, em São Paulo, mesmo tendo sido aprovado no exame para o Itamaraty. Em 1967, mudou-se para Londres para atuar no rádio da BBC. Depois, retornou ao Brasil e trabalhou por 14 anos como tradutor e editor no "Jornal do Brasil".Em 1982, após convite do então diretor de jornalismo Armando Nogueira, Renato ingressou na TV Globo como repórter.
Sua primeira aparição na tela ocorreu em uma reportagem sobre tráfico de órgãos e o óbito de uma criança no Rio de Janeiro.Devido à fluência em inglês e francês, foi designado para cobrir a Guerra das Malvinas no mesmo ano. Também realizou coberturas de conflitos armados na América Central para o "Globo Repórter" e o "Jornal Nacional".
Ele assumiu o posto de correspondente internacional em Londres em 1983, onde permaneceu por seis anos. Nesse período, cobriu o acidente nuclear de Chernobyl, ocasião na qual registrou imagens próximo a uma represa ucraniana sob risco de contaminação.
No mesmo ano, durante a cobertura dos atentados terroristas em Paris, o jornalista e seu cinegrafista foram temporariamente detidos pela polícia francesa em frente a uma prisão onde suspeitos eram mantidos, e liberados após a verificação de seus passaportes
De volta ao Brasil em 1988 como repórter especial, Machado produziu uma matéria a bordo de um caça Mirage da Força Aérea Brasileira (FAB) para o "Globo Repórter", e enfrentou condições de gravidade extrema que alteraram temporariamente sua voz e capacidade de locução no ar.Em 1989, durante a cobertura da queda do Muro de Berlim, obteve de forma exclusiva a informação da abertura das fronteiras por meio de uma fonte local.
No ano seguinte, assumiu a bancada e a chefia de redação do "Jornal da Noite" na TV Manchete. Depois, voltou à TV Globo para cobrir o processo de impeachment do presidente Fernando Collor e a morte do piloto Ayrton Senna, em 1994.
Em 1996, virou apresentador e editor-chefe do telejornal "Bom Dia Brasil". No programa, liderou um processo de reformulação que implementou uma linguagem de conversação mais informal no estúdio, acompanhada de comentários e análises diárias ao vivo.
Ele dividiu a apresentação com Leilane Neubarth e, posteriormente, com Renata Vasconcellos.Em 2011, reassumiu o posto de correspondente internacional em Londres, onde cobriu as eleições presidenciais francesas de 2012 e as celebrações dos 95 anos de Nelson Mandela.
A partir de 2016, transferiu a vaga de correspondente para a repórter Cecília Malan e passou a se dedicar a reportagens especiais voltadas a cultura, gastronomia e costumes para o "Globo Repórter", com destaque para a produção documental sobre a região da Provence, na França.Devido à aposentadoria, Renato Machado encerrou seu vínculo profissional com a TV Globo no ano de 2021.
A saúde de Renato Machado antes da morte Registros anteriores indicam que o jornalista realizou exames de rotina na mesma unidade hospitalar em que teve seu óbito confirmado, nesta quinta-feira.Em 2009, o profissional passou por uma cirurgia de ponte de safena, o que ocasionou o afastamento de suas funções no telejornalismo por um mês.
Na ocasião, foi substituído por Márcio Gomes na bancada do programa.A TV Globo manifestou pesar pela morte do profissional e destacou a atuação do jornalista na história da televisão brasileira.O sepultamento e o velório de Renato Machado são restritos aos familiares e amigos do comunicador.
o povo