Alíquota de 25% dos EUA preserva produtos in natura, mas reduz a competitividade de setor exportador do CE

Blog do  Amaury Alencar
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A nova tarifação de 25% imposta pelo governo dos Estados Unidos às exportações brasileiras, nesta quarta-feira (15), mordeu e assoprou a economia do Ceará. A listagem com os produtos isentos e sujeitos à tarifa foi publicada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). A taxação sobre as exportações brasileiras começa a partir de 22 de julho.

Se por um lado o setor do pescado cearense celebra a notícia de ter ficado na lista de isenções, o calçadista lamenta a entrada no tarifaço. O Estado do Ceará é o segundo maior exportador de calçados do Brasil, atrás somente do Rio Grande do Sul, e os Estados Unidos são o principal mercado externo desse conjunto de indústrias, apesar de uma queda de 25% nas vendas dentro do acumulado de até maio de 2026. Somente as exportações cearenses registraram recuo de 27,3%, nos primeiros quatro meses deste ano.

O economista e professor, Ricardo Coimbra, minimiza o tarifaço destacando a lista de produtos que ficaram de fora do tarifaço americano. “É interessante observar teve uma ampliação de mais de 2.100 itens que vão continuar isentos e que vão manter as exportações com a tarifação diferenciada para baixo lá nos Estados Unidos. É algo em torno de 20% dos itens que são exportados para Estados Unidos que vão sofrer essa tributação”, calcula.

O professor explica os parâmetros dados pelos norte-americanos para aplicação da tarifa que girou em torno da essencialidade e da concorrência. “Produtos como café, carne e outros itens, que são importantes para o custo de vida do americano, vão continuar isentos. Mas aqueles que eles acham que concorrem com o mercado interno como maquinário, açúcar, calçados vão ter essa tarifação adicional”.

Para a gerente do Centro Internacional de Negócios da FIEC, Karina Frota, o momento exige cautela no intercâmbio comercial e reconhece que a decisão do governo dos EUA desacelera a competitividade da indústria nacional. “A alíquota aponta desvantagem imediata para os exportadores brasileiros em relação a concorrentes de outras nações e é indispensável acelerar as negociações diplomáticas entre o governo do Brasil e dos Estados Unidos”, observa.

Karina Frota esclarece ainda que os produtos que forem embarcados antes do dia 22 de julho e, chegarem aos EUA até o dia 29 de julho, estão isentos da nova cobrança.

Exportações cearenses

A gerente do Centro Internacional de Negócios da FIEC destaca que os Estados Unidos permanecem como principal parceiro comercial do Ceará e que, de acordo com a publicação atual, castanha de caju, cera de carnaúba e mel natural são exemplos de produtos que foram incluídos na lista de isenção.

Por outro lado, o setor calçadista foi incluído. “Para o Ceará, o setor de calçados é um foi inserido na tarifa adicional. É relevante estudar novos mercados e seguir com as negociações”, sugere Karina Frota.

Ela ressalta ainda que a decisão de Donald Trump não foi unanimidade nem em território norte-americano. “Entidades e empresas dos Estados Unidos se posicionaram contra o tarifaço nas negociações, argumentando que a medida impactaria negativamente o comércio norte-americano”.

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