Projeto Ensinafro leva história africana e afro-brasileira às salas de aula em Nova Olinda

Blog do  Amaury Alencar
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ENSINAFRO NOVA OLINDA

Foto: Reprodução.

Em Nova Olinda, uma prática pedagógica afrocentrada tem sido desenvolvida com estudantes do Ensino Médio. O projeto Ensinafro é aplicado durante as aulas de História, Sociologia e Filosofia na EEMTI Padre Luís Filgueiras, única instituição de ensino em tempo integral do município. A proposta não é substituir o que já está nos livros, mas aprofundar os contextos, resgatando narrativas, civilizações e protagonismos que o currículo tradicional, de viés eurocêntrico, costuma deixar de lado.

A iniciativa, que nasceu em 2023, é conduzida pelo professor Nicolau Neto. De acordo com o educador, a ideia de implementar o projeto considera as limitações do currículo tradicional, que não aborda civilizações que tiveram impactos significativos no desenvolvimento da agricultura, do comércio, da metalurgia e da criação da escrita, como o Reino de Cuxe e o Reino de Axum.

Com os materiais trabalhados em aulas, o professor também busca combater equívocos, como o mito de que a civilização egípcia não era africana, dada a sua grande importância em áreas como medicina, tecnologia, arquitetura, calendário solar, escrita e disciplinas escolares como matemática e filosofia.

Outros debates realizados, relacionados a história do Brasil, pautam os processos de escravização, da falsa abolição, e da ausência de políticas de reparação após mais de 300 anos de escravidão. “O povo nativo não nasceu escravizado; foi transformado em escravizado pelos colonizadores portugueses e lutaram o tempo todo para não ser”, apontou o professor.

Dentro da sala de aula, os estudantes também são convidados a conhecer diversos lutadores sociais negros, de diferentes períodos, que contribuíram para a formação do país, como Zumbi, Dandara, Luiza Mahin, Luiz Gama, Tereza de Benguela e Tia Simoa.

Apesar do curto tempo, a prática pedagógica já tem obtido bons resultados. Segundo Nicolau, os alunos passaram gradualmente a se posicionar em sala. “Uma ação educativa, sobretudo, que valoriza a história e a cultura africana e afrobrasileira. Uma prática que não só questiona o currículo, mas o transforma por meio do processo de ensino-aprendizagem diário e antirracista”, frisou o educador.

Uma das consequências concretas que envolveu a participação estudantil foi a mesa de diálogo organizada pelos estudantes durante o Novembro Negro de 2025, onde discutiram com toda a comunidade escolar o tema “Educação Antirracista – um dever fazer coletivo”. 

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