Nordeste concentra estados com renda média inferior à metade do DF, aponta IBGE

Blog do  Amaury Alencar
0

 

Os estados do Nordeste aparecem no centro do retrato das desigualdades regionais de renda no país em 2025. Segundo dados da Pnad Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), parte expressiva das unidades federativas em que a renda média do trabalho ficou abaixo da metade do rendimento registrado no Distrito Federal está localizada na região. Maranhão, Bahia, Ceará, Alagoas, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Rio Grande do Norte integram a lista de estados cujo rendimento médio mensal foi menos da metade dos R$ 6.320 observados no Distrito Federal.
O levantamento mostra que o DF manteve, em 2025, o maior rendimento médio do trabalho do país. O indicador considera a renda real habitualmente recebida em todos os trabalhos, abrangendo ocupações formais e informais, nos setores público e privado. No ano passado, a renda média no DF superou em 77,5% a média nacional (R$ 3.560). Em 2024, essa diferença era de 57,1%.
Norte
Além dos estados nordestinos, unidades da Região Norte também aparecem entre aquelas com rendimento inferior à metade do patamar distrital. Pará, Amazonas, Acre, Amapá e Tocantins completam a relação de 14 estados em que a renda do trabalho ficou abaixo de 50% da média do Distrito Federal.
A explicação para o desempenho do Distrito Federal está fortemente associada à presença do setor público federal e, em especial, aos salários mais elevados pagos a carreiras de elite do funcionalismo. Analistas avaliam que a concentração de servidores com remunerações altas em Brasília eleva a média local, mas não significa, necessariamente, maior homogeneidade de renda ou um desenvolvimento produtivo mais equilibrado.
Esse contraste também aparece no índice de Gini, indicador usado para medir a concentração de renda. O Distrito Federal registrou Gini de 0,557 nos rendimentos de todos os trabalhos em 2025, o maior patamar do país. O índice varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade. O resultado do DF ficou 13,4% acima da média brasileira, de 0,491, e 37,2% superior ao índice de Santa Catarina, que apresentou a menor desigualdade nos ganhos do trabalho, com 0,406.
Para o pesquisador André Salata, coordenador do laboratório de estudos PUCRS Data Social, a estrutura ocupacional do Distrito Federal produz uma combinação peculiar: renda média elevada e desigualdade também elevada. Segundo ele, o setor público de elite paga salários altos, mas convive com uma massa de trabalhadores de serviços menos qualificados e de menor remuneração.
No quarto trimestre de 2025, os empregados no setor público tinham renda média de quase R$ 12,6 mil por mês no Distrito Federal, o maior valor entre todas as unidades da Federação. No Brasil, a média dos empregados do setor público foi de R$ 5.339 no mesmo período, menos da metade do registrado no DF. No mercado privado, a vantagem do Distrito Federal é menor. A renda média foi estimada em R$ 3.716 no quarto trimestre de 2025, acima da média nacional, de R$ 3.088, mas abaixo de São Paulo (R$ 3.883).

Postar um comentário

0Comentários
Postar um comentário (0)