Ceará possui desafios na oferta de pescado para merenda escolar, diz estudo do MEC

Blog do  Amaury Alencar
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Dados iniciais de um relatório do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), política do Ministério da Educação (MEC), divulgados no fim de abril classificam o Ceará com 38,3% em percentual de oferta regular de pescado nas escolas públicas do estado. O índice foi considerado intermediário na avaliação, apesar da tradição pesqueira do litoral. Há desafios na distribuição para municípios do interior, segundo o levantamento.

O estudo foi executado de forma remota entre 3 e 15 de novembro de 2025 e ouviu percepções de 2.330 profissionais, entre nutricionistas responsáveis técnicos (RTs) e merendeiros (as) que atuam no Pnae em diferentes regiões do país, segundo o MEC. 

Nos dados iniciais, o Ceará ficou atrás de estados como Santa Catarina (45,7%), por exemplo. Os maiores percentuais foram registrados em estados da Região Norte, associados à tradição ribeirinha e à ampla disponibilidade de pescado na alimentação cotidiana, de acordo com a avaliação.

A pesquisa também examinou a aceitação da proteína pelos estudantes nas refeições, e os desafios para a inclusão desse alimento nos cardápios escolares. O estudo foi conduzido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão vinculado ao Governo Federal.

Empecilhos na logística
A coordenadora de Gestão da Alimentação Escolar da Secretaria da Educação do Estado do Ceará (Seduc), Evilauba Gonçalves, relata que o diagnóstico inicial divulgado pelo MEC reflete a complexidade logística do estado.

‘’É complexo o transporte, armazenamento congelado e cadeia de frio’’, explica ao O Estado . Ela acrescenta que são necessários veículos adequados para fazer o deslocamento do pescado.

Outra questão é o custo. De acordo com ela, o valor elevado impacta a oferta, além da baixa adesão de empresas e cooperativas aos processos de licitação. ‘’Em alguns casos, as chamadas acabam sendo fracassadas’’, pondera. A gestora também menciona dificuldades relacionadas à regularização sanitária dos fornecedores.

Através de pesquisas de satisfação feitas pelos nutricionistas nas escolas, a coordenadora da Seduc traz diferenças entre o gosto dos estudantes e as diretrizes do Pnae. Pelas pesquisas, o modo de preparo do pescado influencia na aceitação dos alunos.

“Eles têm preferência por peixe frito ou empanado, o que vai de encontro com as diretrizes do Pnae, que restringe frituras no cardápio visando priorizar uma alimentação saudável”, acrescenta

Processo
O pescado é inserido no cardápio de acordo com o resultado de enquetes anuais feitas com os estudantes. Através de uma plataforma virtual, o Sige Aluno Online, os discentes selecionam os cardápios e, a partir das preferências obtidas, acontece a compra, via licitação. ‘’O fornecedor contratado entrega o peixe congelado na escola, onde as merendeiras preparam de acordo com o cardápio planejado’’, complementa Evilauba. 

De acordo com a coordenadora, os tipos de peixes mais consumidos pelos alunos são filés de pescada, tilápia, merluza ou pargo. Os profissionais envolvidos na preparação e manipulação dos pescados nas refeições escolares recebem capacitação anual conduzida pelos RTs, com o objetivo de tornar o prato visualmente atraente e saboroso para os estudantes. 

Os dados divulgados até o momento são preliminares e integram um levantamento nacional ainda em fase de consolidação e análise técnica, segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O relatório final da pesquisa está previsto para ser disponibilizado até o fim de junho de 2026. Enquanto isso, a Seduc afirma que discute ações para ampliar a oferta de pescado na alimentação escolar no Estado.

              (Por Júlia Lopes, estagiária sob supervisão de Kelly Hekally)

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