Um casal natural da Bahia foi autuado em flagrante por estelionato em Porto Belo, no Litoral Norte de Santa Catarina. Conforme a Polícia Militar de Santa Catarina, Marcos Paulo Jesus Silva e Natália Gomes Vieira aplicavam golpes pelas redes sociais usando a falsa história de um bebê chamado “Ravi”, que supostamente teria um tumor cerebral e precisaria de uma cirurgia de R$ 3 mil.
Segundo a corporação, o casal não tem filhos. A criança apresentada nas campanhas era de outra família.
A montagem do golpe
De acordo com a Polícia Militar, Natália criava perfis falsos no Facebook, Instagram, TikTok e WhatsApp sob o nome “Naty Gomes”. No TikTok, a conta usada era @naty__gomes98765, com a descrição “mãe do Ravi”.
Para dar credibilidade emocional às campanhas, ela publicava fotos de uma jovem desconhecida, mais bonita que ela, fingindo ser a mãe do bebê. Também usava imagens de uma criança de terceiros, sempre com a aparência de quem estava internada, com sondas e equipamentos hospitalares ao redor.
O detalhe que costurava a fraude: as contas bancárias e a chave Pix sempre eram registradas no nome verdadeiro de Natália Gomes Vieira. Conforme a polícia, isso garantia que o dinheiro caísse direto na conta dela, sem levantar suspeita imediata das vítimas.
Além das doações, o casal montou uma rifa fraudulenta, com números a R$ 20, prometendo um suposto prêmio para arrecadar mais dinheiro para a falsa cirurgia.
As vítimas pelo Brasil
Os celulares apreendidos com o casal mostravam dezenas de conversas com pessoas de várias regiões do país. Em mensagens recuperadas pela polícia, Natália pedia R$ 50 “para comprar os remédios do filho” a estranhos no Instagram, sempre acompanhando o pedido com fotos do bebê internado e versículos bíblicos.
“Boa noite, estou fazendo uma vaquinha para a cirurgia que meu filho está precisando fazer, ele tem um tumor cerebral, o valor da cirurgia é 3 mil reais. Você pode ajudar com o valor que Deus tocar no coração”, dizia uma das mensagens enviadas pela suspeita.
Várias pessoas se comoveram. Um homem chegou a responder “manda o Pix segunda-feira que eu mando para você alguma ajuda”. Outro respondeu apenas “vai dar tudo certo em nome de Jesus” antes de pedir a chave Pix. Um terceiro confirmou que enviaria os R$ 50 pedidos.
A abordagem na praia
Conforme a Polícia Militar de Santa Catarina, a guarnição do Pelotão de Pronta Resposta recebeu denúncias sobre o casal e foi até a praia de Porto Belo, no bairro Perequê. Ao chegar, os policiais encontraram os dois sentados na areia, mexendo no celular.
Segundo a corporação, o casal demonstrou nervosismo e tentou se evadir. Também foi sentido forte odor de substância análoga à maconha. Durante a abordagem, o aparelho de Marcos estava desbloqueado e exibia justamente a foto da criança usada no golpe.
Questionado, Marcos confessou que a campanha era falsa e que o casal aplicava o golpe para receber dinheiro via Pix de vítimas em diversas regiões do país. Ele também entregou voluntariamente uma porção de maconha que estava em seu bolso, conforme o registro policial.
O que foi apreendido
Foram apreendidos três aparelhos celulares, sendo dois com Marcos e um com Natália, além da maconha. Conforme a Polícia Militar, os equipamentos foram recolhidos como prova material do crime, com base no artigo 6º do Código de Processo Penal.
Os celulares apreendidos revelaram conversas com vítimas em diversas regiões do país. A suspeita pedia valores que iam de R$ 50 a doações maiores, sempre acompanhadas de fotos do bebê internado e mensagens religiosas.
O casal foi conduzido à delegacia, onde a ocorrência foi formalizada. A polícia apura quantas vítimas caíram no golpe e qual o valor total arrecadado pelo casal com as falsas campanhas.
Via portal Jornal Razão

