Varejo e mercado informal têm oscilações no ano de Copa e Eleições

Blog do  Amaury Alencar
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No Brasil, há alguns anos esse dueto versa e prosa em anos pares como 2026 e a economia dança conforme a sua volatilidade. O estímulo ao consumo provocado, especialmente, pela Copa fica evidente em setores como varejo, serviços e turismo. Já as incertezas políticas oriundas das movimentações de eleições gerais agitam o mercado financeiro, forçando um olhar cauteloso dos investidores sobre os negócios.

Desde que o ano começou, o Brasil vive essa dupla movimentação que envolve incertezas e, ao mesmo tempo, ganhos reais para a economia, mas que, a partir de junho e até meados de outubro, deve ser intensificada.

Copa do Mundo
Quando o assunto é Copa do Mundo, o consumo é estimulado e ganham fôlego setores como varejo, alimentação, bebidas, turismo, incentivados pela geração de empregos temporários e a maior circulação de dinheiro.

“Para nós (brasileiros), o impacto que aparece de maneira mais evidente se dá fundamentalmente no comércio e nos serviços: no primeiro, de maneira mais imediata, tendo em vista que já é possível constatar facilmente uma grande movimentação em torno de produtos como camisas e artigos diversos ligados ao evento, “oficiais” ou não. Durante o evento propriamente, o movimento dos bares costuma ter um impulso significativo, com a exibição dos jogos e, portanto, reuniões de torcida”, explica o professor de Ciências Econômicas da Universidade Rural do Cariri (Urca), Fabiano Santos.

O ambulante, João Batista Teixeira, confirma a tese do professor. “Eu trabalho um bom tempo com material esportivo e a Copa do Mundo é em período que embala e melhora a renda das pessoas. A camisa do Brasil é incomparável e, em todo o decorrer do ano, a gente vende para estrangeiros, mas quando chega a Copa há uma demanda maior, pois os brasileiros deixam para cima da hora”.


Para o professor, uma Copa do Mundo também leva oportunidades de transformação de espaços e ganhos estruturais, sempre pensados a partir da lógica dos mercados. “Apesar de sua dimensão esportiva e cultural, num sentido mais amplo, eventos internacionais como a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas são fundamentalmente pensados numa lógica de negócios. Nos países onde são realizados, por exemplo, aparecem grandes oportunidades de valorização para um grupo pequeno de grandes capitais internacionais e nacionais, ao custo de uma profunda reorganização da infraestrutura dos espaços de interesse e, não raras as vezes, na realização de projetos que não levam em conta as necessidades das populações locais”, observa

Eleições Gerais
A incerteza eleitoral de um ano com Eleições Gerais para presidente, governadores e respectivos vices, senadores da república, deputados federais e estaduais forçam os investidores a jogar lentes de longo alcance sobre o mercado financeiro para evitar perdas futuras.
“Ano de eleição costuma ser, via de regra, ano de aumento de gasto público: concursos, obras públicas, melhorias de salários ou liberações de bonificações etc. Por consequência, há desdobramentos nos demais setores da economia”, detalha Fabiano Santos.

O economista destaca ainda que essa movimentação não é uma exclusividade do setor público. Para ele, porções do setor privado se mexem para ganhar ou manter espaços conquistados. “Essa é também uma época em que as frações do poder privado que não se entendem como representadas pelo Estado se organizam pela disputa desse espaço. O ponto é que a ação econômica desses diferentes grupos acaba sendo um instrumento na disputa de narrativas entre as frações políticas (e econômicas, que elas representam). Não poderia ser diferente numa organização social que tem como seu principal elemento de mediação o dinheiro e o ganho (econômico) como meta”, afirma.

Fabiano Santos lembra ainda que outros fatores como as pesquisas eleitorais têm efeitos significativos para os rumos econômicos, especialmente em tempos de redes sociais. Para o professor, as plataformas alcançam os indivíduos de forma direta. “Antes, a televisão – principalmente – mostrava-se como veículo de uma narrativa bastante homogênea sobre a organização social. Com as redes sociais, os canais de disputa entre frações do poder econômico se ampliaram; o que se pode constatar, por exemplo, no próprio enfraquecimento do poder da televisão”.

No comércio informal há mais de 25 anos, seu Manoel Soares diz que o período eleitoral faz movimentar a cadeia produtiva. “Nas eleições, corre um dinheirinho para mais pessoas, pois alguns que estão desempregados conseguem aqueles empregos temporários no período da eleição e vem gastar aqui com a gente”.

Números
Estima-se que o Governo Federal injete cerca de R$ 300 bilhões na economia, principalmente com foco nos programas sociais. O bolsa famílias, por exemplo, deve ficar com a maior fatia, mais de R$ 150 bi, seguido do Pé de Meia, Gás do Povo, além do Luz do Povo e da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, sem falar no aporte extra de R$ 20 bilhões para o Programa Minha Casa Minha vida.
Por Emanuel Santos

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