Suspeito de tiroteio em jantar escreveu manifesto anticristão, diz Trump

Blog do  Amaury Alencar
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Donald Trump concedeu entrevista coletiva após incidente durante o jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa BrancaJonathan Ernst/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste domingo (26) que o suspeito de tentar atacar funcionários do governo no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, no sábado (25) à noite, tinha um manifesto anticristão e “muito ódio no coração”, mas foi impedido de entrar no salão de baile do hotel onde o evento acontecia.

Trump disse à Fox News que o suspeito era “um cara doente” e que sua família já havia expressado preocupação a respeito dele às autoridades policiais. O suspeito, identificado por um oficial como Cole Tomas Allen, de Torrance, Califórnia, foi preso no local do incidente em Washington, D.C.

 O manifesto foi enviado aos familiares de Allen pouco antes do ataque, disse um agente da lei à Reuters. O suspeito se autodenominava “Assassino Federal Amigável”, afirmou o agente.

“Oferecer a outra face quando *alguém* é oprimido não é comportamento cristão; é cumplicidade nos crimes do opressor”, dizia o manifesto, de acordo com o funcionário.

Os alvos listados no manifesto incluíam funcionários do governo — embora não o diretor do Federal Bureau of Investigation (FBI), Kash Patel — priorizados do nível mais alto para o mais baixo, disse a fonte.

O manifesto zombava da falta de segurança “insana” no Washington Hilton, onde o jantar foi realizado, acrescentou o funcionário.

“Tipo, a primeira coisa que notei ao entrar no hotel foi a sensação de arrogância”, escreveu o autor do manifesto, segundo relatos. “Entrei com várias armas e ninguém ali sequer considerou a possibilidade de eu representar uma ameaça.”

O suspeito viajou de trem de Los Angeles para Chicago e depois para Washington, disse o procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, ao programa Meet the Press da NBC, acrescentando que Trump e membros importantes de sua administração eram os alvos prováveis.

Violência Política

Autoridades informaram que o suspeito disparou uma espingarda contra um agente do Serviço Secreto em um posto de segurança no hotel Washington Hilton antes de ser imobilizado e preso.

Trump, a primeira-dama Melania Trump, o vice-presidente JD Vance e outros membros do gabinete foram retirados às pressas do jantar enquanto o incidente acontecia. O agente do Serviço Secreto que foi baleado escapou de ferimentos graves porque a bala atingiu seu colete à prova de balas, disse Trump.

Trump, que já havia boicotado o evento de gala para a mídia no passado, solicitou que o jantar fosse remarcado em até 30 dias, acrescentando: “Esse seria um evento importante”.

O suspeito será acusado em um tribunal federal na segunda-feira (27) por agressão a um agente federal, disparo de arma de fogo e tentativa de homicídio contra um agente federal, disse Blanche, acrescentando que não sabia se havia alguma ligação do Irã com o ataque. Outras acusações federais serão apresentadas posteriormente, disse Blanche.

O incidente de sábado ocorreu em meio a uma crescente onda de violência política nos Estados Unidos nos últimos anos. O ativista político conservador Charlie Kirk foi morto a tiros em um comício em setembro passado, apenas alguns meses após o assassinato, em junho de 2025, da representante estadual democrata de Minnesota, Melissa Hortman, e de seu marido, e o ferimento de um senador estadual de Minnesota, também em junho de 2025.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada nos dias seguintes ao assassinato de Kirk revelou que os norte-americanos acreditam que a retórica cada vez mais agressiva em torno da política está incentivando a violência nos EUA.

Em todo o mundo, líderes condenaram o ataque e expressaram alívio pelo fato de Trump e todos os presentes estarem em segurança. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, classificou o ataque como “contra nossas sociedades livres e abertas”, e outros líderes enfatizaram que a violência não tem lugar em uma democracia.

A visita planejada do rei Charles do Reino Unido aos Estados Unidos, com início previsto para segunda-feira, será mantida, disseram Trump e autoridades britânicas. A embaixada britânica afirmou em comunicado que estão sendo realizadas discussões sobre se o incidente poderá afetar o planejamento da visita.

                                                  R7 

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