
O governador Elmano de Freitas (PT) voltou a alfinetar o presidente do PSDB Ceará, Ciro Gomes, ao citar a segurança pública nesta quarta-feira (8).
“Nós estamos preocupados em trabalhar muito, em fazer as coisas acontecerem no Ceará […] Basta a gente olhar mais ou menos em 1990. Qual era o tamanho da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, da Polícia Civil? Bem fácil da gente comparar quem de fato faz pela segurança e quem tem muito papo furado quando fala de segurança”.
A fala foi dada em coletiva de imprensa após O Estado CE questionar se há previsão de lançamento da candidatura de Elmano à reeleição. No fim de semana, Ciro Gomes, presidente estadual do PSDB, disse a este jornal ser “possível” lançar sua candidatura neste mês. O tucano e seu grupo político falam de formalização até maio.
“O Ciro deve estar muito preocupado em financiar a candidatura. A única coisa que ele faz é falar de política”, argumentou Elmano. Ciro e Elmano trocaram farpas nos últimos dias: após o ex-governador falar no sábado (4) que o “Ceará precisa de uma resposta para problemas extremamente graves e complexos”, referindo-se ao tema e à saúde pública.
Na terça-feira (7), questionado também por jornalistas, Elmano respondeu “bravata não resolve segurança pública” e sugeriu que o ex-governador não realizou “nada de concreto na segurança pública”.
Adversários políticos
Ambos disputam um cenário eleitoral no Estado, com sinalizações claras de que a adversariedade política que existe publicamente desde 2022 será confrontada nas urnas, já que o governador Elmano irá à busca pela reeleição e Ciro vem sendo fortalecido pelo arco da oposição, com Federação União Progressista (UPB), PSDB e PL, para disputar também o Palácio da Abolição.
Questionado também pela reportagem nesta quarta, Elmano normalizou a ausência de apoio da federação, hoje controlado pelo ainda presidente do União Brasil, Capitão Wagner, dizendo que o “União Brasil sempre foi um partido da oposição””. “A federação de fato nós não perdemos, o União nós nunca tivemos”.
O PP é o outro partido que compõe a UPB e tem aliados históricos do PT no Ceará, como o presidente da sigla, deputado federal AJ Albuquerque, e seu pai, o deputado estadual e ex-secretário de Elmano, Zezinho Albuquerque.
Elmano sinalizou estar tranquilo quanto ao apoio de ambos, acrescentando a carta de anuência que o PP Ceará recebeu do presidente nacional da legenda, Ciro Nogueira, para que os filiados apoiem quem queiram. Sobre o Podemos, o gestor declarou que seu aliado Nelinho, deputado federal suplente recém-filiado ao Podemos, vai presidir o partido no Estado, apontando que permanecerá em sua base de apoio.
“Quem passa a dirigir o Podemos do Ceará é o meu amigo deputado Nelinho. Na verdade, nós fizemos um entendimento com a presidente nacional [da sigla] Renata [Abreu] e o Nelinho deve dirigir. Compôs sua chapa no Podemos, e o Podemos deve compor conosco uma grande coligação com um projeto para avançar ainda mais o Estado do Ceará”.
“Moses e Oscar aliados”
Com a saída de Bismarck Mais, havia indícios de que o Podemos se alinhasse à oposição ao gestor. Ainda sobre a UPB, Elmano cita os nomes de Moss e Oscar Rodrigues como aliados.
“Tem um acordo de que os deputados, prefeitos, militantes que são desse partido que apoia a base do governo continuarão apoiando o nosso projeto político. É assim o deputado Moses [Rodrigues], com o prefeito Oscar [Rodrigues] […] Nós estamos muito tranquilos quanto a isso”.
Em março, Capitão Wagner informou que o presidente nacional do seu partido, Antônio Rueda, anunciou que o ex-deputado federal vai presidir a UPB no Ceará e que à época Rueda estudava a liberação de Moses e apoiadores de Elmano para que seguissem, sem punição, na base de Elmano. Dias depois, o mesmo grupo do parlamentar de Sobral disse que ele passaria a ser o presidente do UB no Estado.