Mineradora brasileira de terras raras é vendida para companhia americana por US$ 2,8 bi

Blog do  Amaury Alencar
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A norte-americana USA Rare Earth anunciou nessa segunda-feira (20/04) a compra da Serra Verde, única operação ativa desse segmento no Brasil, em uma transação avaliada em US$ 2,8 bilhões. O negócio combina pagamento em dinheiro e emissão de ações e deve ser concluído no terceiro trimestre de 2026, conforme comunicado ao mercado. As chamadas terras raras são 17 elementos químicos essenciais para a indústria eletrônica, os carros elétricos, os geradores eólicos, a robótica e a inteligência artificial (IA).
Pelos termos do acordo, a companhia dos Estados Unidos desembolsará US$ 300 milhões em espécie e emitirá 126,9 milhões de novas ações para viabilizar a aquisição. A operação representa um movimento estratégico em meio à crescente disputa global pelo controle da cadeia de suprimentos de terras raras, insumos considerados críticos para a indústria de alta tecnologia.
“Estamos entusiasmados em unir forças com a USAR para criar uma empresa maior e mais diversificada, abrangendo a cadeia de suprimentos de ETRs no Brasil, EUA e os seus Aliados. A combinação permitirá investimentos sustentados e crescimento da operação, criando empregos, contribuições fiscais e investimentos que beneficiarão funcionários, a comunidade e o Brasil”, disse em comunicado publicado pela empresa o Thras Moraitis, CEO do Grupo Serra Verde.
“Além disso, estamos satisfeitos por termos garantido esse acordo de fornecimento de 15 anos com uma empresa de propósito específico, capitalizada por diversas agências do governo dos Estados Unidos, bem como por fontes de capital privado para 100% da produção da Fase I de nossa operação de classe mundial”, completou o executivo.

Contrato
Em paralelo à venda, a Serra Verde informou ter firmado um contrato de longo prazo, com duração de 15 anos, para fornecer 100% da produção inicial da mina a uma entidade de propósito específico financiada pelo governo norte-americano e investidores privados. O arranjo reforça o interesse dos Estados Unidos em reduzir a dependência de fornecedores asiáticos, especialmente da China, que atualmente responde por cerca de 60% da extração global e 90% do refino desses minerais.
Localizada no norte de Goiás, a operação da Serra Verde vinha destinando integralmente sua produção ao mercado chinês. No entanto, a empresa já havia iniciado uma reconfiguração contratual para direcionar parte do fornecimento a clientes ocidentais, movimento agora consolidado com a entrada da nova controladora.
A USA Rare Earth, com sede em Oklahoma, pretende estruturar uma operação integrada que abranja toda a cadeia produtiva, desde a extração até o processamento de terras raras pesadas e leves. Esses elementos são essenciais para a fabricação de ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa, setores considerados estratégicos no contexto da transição energética e da segurança nacional.
A reação do mercado financeiro ao anúncio foi imediata. As ações da companhia, listadas na Nasdaq, registraram alta de 8,3% no pré-mercado, elevando o valor de mercado da empresa para US$ 4,4 bilhões. O movimento sinaliza a percepção de investidores de que a aquisição posiciona a empresa em um segmento de alta relevância geopolítica e com forte potencial de crescimento nos próximos anos.

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