
A 74 dias do início da Copa do Mundo, torcedores brasileiros seguem se organizando financeiramente para viajar à América do Norte e acompanhar de perto os jogos da seleção, sonhando com o fim de um jejum de 24 anos sem título. Apesar dos valores elevados dos ingressos, o entusiasmo permanece. Os fãs continuam confiantes na conquista do hexacampeonato, independentemente da presença de Neymar.
Além das partidas, o que atrai os torcedores é o clima único do torneio, marcado por celebrações, integração entre diferentes torcidas e a chance de conhecer novos destinos e culturas.
Investimentos
O empresário Raphael Ravagnani, de 39 anos, relembra que sua paixão por Copas começou em 1994, ao assistir aos jogos pela televisão. Desde então, o evento se tornou especial por reunir futebol, festa e convivência com amigos e familiares.
Ele só conseguiu assistir a jogos em estádio em 2014, no Brasil, e depois esteve na Rússia, em 2018, após anos de planejamento financeiro. A experiência, segundo ele, ampliou sua visão sobre a Copa como um evento também cultural.
Ravagnani também marcou presença no Catar e agora se prepara para mais uma jornada internacional. Ao lado da esposa e de um amigo, embarca em junho para acompanhar jogos no Canadá, nos Estados Unidos e possivelmente no México, dependendo da trajetória da seleção brasileira.
Somando passagens, hospedagem, alimentação e ingressos, o empresário estima um investimento entre R$ 30 mil e R$ 35 mil para viver mais uma edição do torneio.
Prioridades
A analista de sistemas Ynara Costa, 54, afirma que ainda não calculou quanto deve gastar na viagem. “Não coloquei no papel e nem quero colocar, porque dá um desânimo. É muito caro. Se o Brasil for até a final então… nem sei. É um valor bem alto que não consigo estimar”, disse.
Integrante do MVA (Movimento Verde Amarelo), grupo conhecido por acompanhar atletas brasileiros em competições ao redor do mundo, Ynara acompanha Copas do Mundo presencialmente desde 1994. Ela marcou presença em quase todas as edições seguintes, ficando de fora apenas em 2002 e 2006, e acompanhou quatro finais — 1994, 1998, 2014 e 2022. “É o investimento da minha vida. Prefiro abrir mão de trocar de carro para viver essas experiências”, afirmou Ynara, que já garantiu ingressos para todos os jogos do Brasil.
Com experiência em Copas, a torcedora avalia que os preços subiram além do esperado. “Sempre houve aumento, mas desta vez foi desproporcional. Os valores estão muito elevados”, disse.
A percepção é compartilhada pelo empresário Raphael Ravagnani. “Os preços estão absurdos. Ingressos que antes custavam cerca de R$ 350 agora chegam a R$ 2.500”, comparou.
Mesmo com os custos altos, os torcedores destacam que a atmosfera única do torneio e a possibilidade de ver o Brasil conquistar o hexacampeonato justificam o gasto.