
A expansão do acesso à energia elétrica voltou ao centro da agenda de políticas públicas de infraestrutura em 2026, com a abertura de um novo ciclo do programa Luz para Todos. Com a definição do orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para execução do programa neste ano, o Ministério de Minas e Energia projeta investimentos novos da ordem de R$ 2,5 bilhões, que se somam aos R$ 3,5 bilhões já empenhados, sustentando a continuidade das ligações em comunidades rurais, isoladas e de difícil acesso.
O desenho orçamentário de 2026 é diretamente influenciado pelo avanço contratual de 2025. No ano passado, o programa firmou 23 contratos de operacionalização, que totalizam R$ 4,39 bilhões em investimentos previstos pela CDE e têm potencial de beneficiar 142.236 novas unidades consumidoras em diferentes regiões do país. A leitura do governo é que a política de universalização, ao reduzir a chamada pobreza energética, atua como indutora de inclusão produtiva e melhoria de condições de vida em territórios historicamente desconectados da infraestrutura básica.
Um recorte relevante desse movimento ocorreu no último trimestre de 2025, quando 11 contratos foram celebrados abrangendo nove estados: Acre, Bahia, Piauí, Maranhão, Rondônia, Goiás, Amapá, Pará e Paraíba. Esses contratos, segundo o MME, devem atender cerca de 43 mil novas unidades consumidoras, combinando atendimento convencional e soluções remotas voltadas a sistemas isolados, dentro de metas ordinárias e excepcionais.
A Amazônia Legal aparece como prioridade na estratégia de ampliação, tanto pelo desafio logístico quanto pela característica dispersa das localidades atendidas. No Pará, foram assinados dois contratos para regiões remotas, incluindo uma tranche especial indígena, com previsão de mais de 43 mil ligações e investimentos acima de R$ 1,24 bilhão, sinalizando a intensificação do uso de modelos de atendimento adequados a comunidades distantes da rede.
No campo econômico, o programa é visto como um mecanismo que combina investimento em infraestrutura com efeitos indiretos sobre produtividade e oferta de serviços, na medida em que amplia a capacidade de armazenamento de alimentos, viabiliza equipamentos e melhora condições para atividades produtivas locais.