Mais negócios devem ser viabilizados pela Transnordestina no Ceará a partir dos planos de cooperativas agroindustriais do Cariri para 2026.
Reunidos, produtores rurais de algodão, mel, hortifruti, frutas, carne e leite se articulam para fortalecer as produções ao longo do ano já de olho nas oportunidades de alcançar mais mercados consumidores.
A região tem se destacado no cooperativismo rural e de crédito, como frisa ao O POVO o analista de Desenvolvimento do Sistema de Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Lucas Bonfim, e tem na ferrovia um canal de acesso mais vantajoso a mercados tanto do Nordeste quanto do Exterior, via Porto do Pecém.
"A Transnordestina pode trazer acesso a novos mercados para eles. Qual é a grande dificuldade do Cariri hoje? É o custo logístico. Competir com cooperativas da Serra da Ibiapaba, por exemplo, é inviável por conta do custo logístico. A serra está bem mais perto do porto", atesta.
O principal motivo é a redução no frete, uma vez que o transporte rodoviário chega a ser até três vezes mais caro que o ferroviário.
Em operação comissionada entre Bela Vista (PI) e Iguatu (PE), a Transnordestina já opera cargas de milho, sorgo, calcário agrícola e gipsita, reduzindo os custos de quem vende e de quem compra entre Piauí, Pernambuco e Ceará.
Esta é a vantagem que os cerca de 2 mil produtores rurais do Cariri reunidos em cooperativas pretendem fazer uso também, diz o analista de Desenvolvimento do Sistema OCB.
Hoje, eles chegam a alcançar municípios de fora da região a partir de sistemas de compras públicas, mas a meta é uma operação comercial mais robusta.
Articulação e profissionalização
Desde meados de 2025, Bonfim está na região para dar suporte aos cooperados e viu que o potencial local pode fazer com que eles estabeleçam uma produção maior e com resultados mais sólidos a partir das oportunidades possíveis ao aderir ao cooperativismo.
"Identificamos que existem muitos grupos aqui que já fazem um trabalho de compras coletivas, mas de maneira informal. O cooperativismo vai trazer essa formalidade e possibilita o acesso a crédito, políticas públicas e participação em processos de compras públicas", destaca.
Hoje, a estimativa do Sistema OCB é que existam cerca 1,5 mil produtores já cooperados no Cariri e mais outros seis grupos, nos quais se reúnem mais 40 produtores em cada, em processo de formação de novas cooperativas. O esforço do analista é na profissionalização de todos, agora.
Bonfim contou ao O POVO de trabalhos focados em consultorias e capacitações para o desenvolvimento de habilidades administrativas e contábeis, além da técnica de produção.
Um dos incentivos é estimular as cooperativas a obterem selos de inspeção federal para expandir os mercados.
Orgânicos e exportação
A atuação em atividades relacionadas à fruticultura e ao hortifruti são consideradas por Bonfim pontos fortes das cooperativas para acessar mercados internacionais a partir de produtos orgânicos certificados, nos quais não se aplicam agrotóxicos no processo produtivo.
"Os mercados americano e europeu têm buscado muito o Brasil com o objetivo de comprar orgânicos", aponta, citando que há trabalha com produtores de polpas, de banana, de goiaba, além de mel, na Região.
Com a operação do terminal logístico de Iguatu prevista para iniciar em maio deste ano e o de Quixeramobim até agosto, em uma nova fase de ampliação da operação comissionada da Transnordestina, as chances de acessar outros mercados se ampliam.
Simultaneamente, outros produtores já modulam os negócios na ferrovia, experimentando o trajeto cujos trilhos já estão operacionais juntamente com o transporte rodoviário em um modelo misto de melhor custo aos produtores.
Algodão via Missão Velha
A cidade de Missão Velha, onde também vai ser instalado um terminal logístico da Transnordestina, está na mira da Associação dos Produtores de Algodão do Estado do Ceará (Apaece), segundo contou ao governo federal o tesoureiro e fundador da instituição, Cícero Gonçalves.
"Principalmente para nós que trabalhamos com a agricultura, isso traz viabilidade de escoação da produção", contou, acrescentando que, atualmente, o custo logístico é elevado para comprar insumos que vêm de Suape (PE) e do Oeste da Bahia.
O objetivo é ter a ferrovia como principal modal logístico para a chegada dos insumos e também escoar a produção dos cerca de mil hectares plantados, divididos entre 20 sócios em cidades como Missão Velha, Barbalha, Brejo Santo, Mauriti, Abaiara, Milagres e Porteiras.
O POVO