
O baixo volume de chuvas registrado no início da quadra invernosa de 2026 acendeu o sinal de alerta sobre a recarga dos reservatórios que abastecem o Ceará. Embora as primeiras precipitações tenham trazido algum alívio após meses de estiagem, os índices ainda estão abaixo da média histórica, impactando diretamente o nível de armazenamento em diversas bacias hidrográficas.
O Diretor de Operações da Cogerh (Companhia de Gerenciamento de Recursos Hídricos) do Ceará, Tércio Tavares, revela, em entrevista ao Jornal Alerta Geral, que, em janeiro, a média esperada era de 100 milímetros de chuva, mas o Estado registrou apenas 68 milímetros. Segundo ele, a distribuição irregular das precipitações agravou o cenário, com aportes mais significativos na Região Metropolitana de Fortaleza e no Sul do Estado, enquanto áreas da faixa intermediária permanecem com déficit hídrico.
“Isso é muito preocupante, porque começa a dialogar positivamente com a previsão da Fundação e dos nossos profetas, que avaliaram esse inverno como um inverno abaixo da média.” A situação se torna um pouco mais preocupante com a região metropolitana de Fortaleza pela demanda, que é bastante elevada. Nós estamos falando aí algo em torno de 10 a 12 metros cúbicos de água por segundo. Isso é um volume grande, quando os nossos reservatórios no sistema Pacajus, Pacuti, Riachão, Gavião, eles não estão tendo a quantidade boa para essa transferência, eu perco performance nessa transferência, eu não garanto para Fortaleza“, disse Tércio.
EMERGÊNCIA
Diante desse quadro, a Cogerh já desenha estratégias emergenciais para assegurar o abastecimento da população caso o volume de chuvas em 2026 continue abaixo da média histórica.
Entre as medidas avaliadas estão a ampliação das transferências de água entre bacias, o reforço no uso do sistema Castanhão e a possibilidade de intensificar a utilização das águas do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), por meio do Cinturão das Águas do Ceará (CAC).
Apesar de o índice atual de reservação ainda garantir segurança para os próximos meses, O Diretor de Operações da Cogerh orienta a população a evitar o desperdício.
"A situação só não é mais preocupante porque o nosso índice de reservação hídrica do estado do Ceará ainda é um volume considerado razoável, o suficiente para dar pelo menos mais dois anos, mas nessa perspectiva não significa que dizer que a população está autorizada ou nem tão pouco os gestores autorizados a fazer mau uso dessa água. A gente trabalha sempre no Ceará de forma preventiva, a gente não pode deixar acabar a água para depois discutir o que fazer. Então, quando nós vemos baixa nos reservatórios, automaticamente nós já criamos estratégias para manter esse nível, por isso essa preocupação em já trazer água do projeto de integração de São Francisco, PIPs, através do CAC, Cinturão das Águas do Ceará, para mantermos uma reservação insuficiente para transcorrermos todo o 26 e também termos algum nível de segurança para 27", complementa o Diretor de Operações da Cogerh.
NÍVEIS CRÍTICOS
Tércio relata, ainda, que algumas bacias, como a dos Sertões de Crateús, apresentam níveis críticos, exigindo monitoramento diário e gestão preventiva.
“Nós estamos com a média de 18,57% com sinais negativos para o Sertões de Crateús, que hoje se encontra apenas com 9,66% e um pouquinho melhor o Banabuiú, que está com 26,12%. Chegando agora mais ao sul do estado, nós temos ali uma reservação média das bacias de 56,24%, com um destaque positivo para o alto Jaguaribe, ali onde está o Orós, que hoje a bacia está com 69,52% e o Salgado, que está com 42,9%”, disse Tércio.
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