
O Ceará terá um Pacto Estadual Contra o Feminicídio. A medida foi anunciada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), o deputado Romeu Aldigueri (PSB), nesta quarta-feira (11) e se inspira no Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio, lançado no início de fevereiro por iniciativa do presidente Lula (PT).
De acordo com Aldigueri, a ideia é lançar um pacto contra o feminicídio no âmbito do Legislativo estadual, no próximo mês de março, mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher. O lançamento deverá contar com as presenças de deputados, do governador Elmano de Freitas (PT), da vice-governadora Jade Romero (MDB), além de representantes de outros Poderes e instituições do Estado.
“Esse movimento é suprapartidário, não tem bandeira ideológica, tem o favorecimento e fortalecimento da mulher brasileira”, destacou Romeu, que também parabenizou Lula pela iniciativa nacional.
“É uma maneira de todos nós nos unirmos nesse pacto, como uma forma de conscientização com ação programática para defender a honra e a integridade física e moral das mulheres. Não se admite mais que exista qualquer tentativa de feminicídio em pleno século XXI”.
O lançamento do pacto estadual ocorrerá dentro de uma programação da Assembleia no mês de março, articulada pela presidência; pela primeira-dama, Tainah Marinho Aldigueri; pelo Movimento das Mulheres do Legislativo Cearense; pela Procuradoria Especial da Mulher e pelo Comitê de Responsabilidade Social da Casa.
Segundo o presidente, personalidades nacionais ligadas ao tema deverão participar da programação, como a ministra das Mulheres, Márcia Lopes; a senadora Augusta Brito (PT-CE); a ex-deputada federal Manuela D’Ávila (Psol); a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), entre outras.
O Pacto Estadual Contra o Feminicídio também será lançado dentro da programação da Feira dos Municípios 2026, entre 21 e 24 de março, informou Aldigueri.
POLÊMICA SOBRE PACTO CONTRA FEMINICÍDIO
O anúncio do pacto estadual articulado pela Assembleia do Ceará ocorre dias após a Casa se tornar notícia nacional depois que a deputada Dra. Silvana (PL), da tribuna do Plenário 13 de Maio, rasgou o Pacto Nacional contra o Feminicídio.
“Eu vou rasgar o pacto porque eu quero que saia no jornal que quem rasgou o pacto fui eu, a deputada Silvana, uma mulher, líder do PL”, disse a parlamentar.
Silvana criticou que alguns petistas associaram o crescimento de feminicídios no país nos últimos anos ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e acusou o governo Lula de fazer “uma jogada de marketing” com o pacto em meio ao aumento no número de casos de feminicídio. Ela também criticou a iniciativa por não incluir as igrejas.
O gesto causou reações. A ex-deputada estadual e senadora Augusta Brito (PT-CE) rebateu Silvana.
“Rasgar um papel não rasga a dor das famílias que perderam suas filhas nem dos filhos que perderam suas mães. O combate ao feminicídio não pode ser uma disputa entre igreja, família e governo. Todos e todas temos papel importantíssimo no combate ao feminicídio. O que não podemos fazer é transformar a dor dessas famílias em palanque político”.