
O Ceará voltou a ocupar o centro do debate nacional sobre a força da indústria têxtil e seu elo com a produção agropecuária ao sediar a abertura do 1º Intercâmbio Técnico e Cultural da Rota da Moda do Brasil, na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC). Reunindo representantes de seis estados, o encontro serviu como vitrine para uma estratégia que combina retomada da cotonicultura, modernização tecnológica e políticas de inclusão produtiva, com o objetivo de reconstruir, peça a peça, a base de matéria-prima que sustenta um dos mais relevantes parques industriais do país.
Com o tema “Do Ouro Branco à Passarela”, o secretário do Desenvolvimento Econômico do Estado, Domingos Filho, apresentou a visão do governo para recolocar o algodão no mapa produtivo cearense em parceria com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e o setor produtivo.
A tônica do discurso foi a integração entre agricultura e economia urbana, com um componente claro de política de trabalho e renda. Ao defender a expansão de ações de capacitação, Domingos Filho sustentou que a nova dinâmica do mercado pressiona por qualificação contínua e que, com mão de obra treinada, a demanda tende a “encontrar” o trabalhador.
O eixo produtivo anunciado aponta para uma virada tecnológica no campo, com a expansão do algodão irrigado ganhando protagonismo diante do plantio em sequeiro, mais dependente das chuvas. A meta original, relatou, era plantar 5 mil hectares em dois anos, mas a demanda por adesão tem crescido acima do previsto. O diferencial está na produtividade. Enquanto o sequeiro rende cerca de 1.500 quilos por hectare, o irrigado teria potencial de chegar a 5.000 quilos.
Além do algodão convencional e transgênico, o Ceará tenta transformar uma vantagem competitiva em estratégia de posicionamento, que é o nicho de algodão orgânico associado à agricultura familiar.
O Intercâmbio Técnico e Cultural segue até 27 de fevereiro. Estão previstas visitas técnicas a indústrias em Maracanaú, centros atacadistas como o Maraponga Mart Moda e o Centro Fashion, além de encerramento na Ceart, onde o artesanato é apresentado como ativo econômico da indústria.