Resíduos sólidos e chuva: início da quadra chuvosa no Cariri acende alerta para surtos de arboviroses

Blog do  Amaury Alencar
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Com o início da quadra chuvosa no Cariri, a atenção das autoridades de saúde se volta para o aumento dos casos de arboviroses. Segundo o Painel de Monitoramento das Arboviroses, do Ministério da Saúde, o terceiro principal responsável pelos focos do Aedes aegypti - mosquito transmissor da chikungunya, dengue e zika - são os resíduos sólidos. Na Região Metropolitana do Cariri, 12% dos mosquitos nascem e se proliferam em ambientes desse tipo.


O perigo mora, principalmente, em embalagens plásticas, tampas de garrafa e latas que, sejam elas descartadas individualmente, nas ruas, em quintais, canais e terrenos baldios; ou acumuladas em lixões a céu aberto. Quando empoçam água da chuva, esses recipientes se transformam no espaço ideal para disseminação dos vetores de doenças.

O médico sanitarista e gestor em saúde, Álvaro Madeira, reforça o risco desses resíduos que parecem inofensivos. “Às vezes, estamos falando de um copinho ou de um recipiente pequeno, que passa despercebido da rotina e fica ali, sem ninguém mexer. Por ser pequeno, também aquece rápido e cria as condições bem favoráveis para que o ovo se torne adulto, em 7 a 10 dias, aproximadamente”, explica o especialista.

Ele explica, também, que a quadra chuvosa funciona como um gatilho biológico para o Aedes aegypti. “O mosquito deixou ovos, digamos, 'em prontidão', nas paredes desses recipientes. Esses ovos resistem, às vezes, por meses sem água, no seco. E quando cai a primeira chuva, vão eclodindo. Então, em condições de calor e umidade, o ciclo vai se dar de forma rápida, e a transmissão vai ser acelerada nos bairros que têm esses focos”, ilustra.

*Cenário epidemiológico*
Historicamente, os casos de dengue, zika e chikungunya aumentam entre novembro e maio. Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2025, o Brasil registrou mais de 1,6 milhão de casos prováveis de dengue e 1.688 mortes. Embora esses números representem uma queda de cerca de 75% em relação ao mesmo período de 2024, a situação exige cautela, pois um levantamento recente indicou que 30% dos municípios brasileiros já se encontravam em situação de alerta no final do ano.

Dados da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa) apontam que em 2025, a Região do Cariri teve 2.608 casos de dengue; 68 de chikungunya; e 1 caso confirmado de zika. Os dados da Sesa mostram ainda que, nos primeiros dias de 2026, o Cariri já possui 143 casos notificados de arboviroses, com 13 casos confirmados.

*Prevenção e futuro*
A eliminação dos focos de mosquitos é uma missão coletiva, que envolve o poder público, iniciativa privada e toda a sociedade, e quando essa erradicação passa pela gestão de resíduos sólidos, o trabalho coletivo se torna ainda mais essencial. Da separação correta do lixo em cada residência, passando pela reciclagem, coleta e destinação correta, e incluindo a limpeza urbana, cada atitude e política pública conta.

Cada foco eliminado resulta diretamente na redução de internações e de afastamentos do trabalho, e na consequente melhora da qualidade de vida. “O descarte correto do lixo não é só uma questão de organização urbana, faz parte também de uma medicina preventiva. Neste período de quadra chuvosa, cada saco fechado, cada quintal limpo, cada entulho retirado é um foco a menos e, na prática, menos dengue, menos chikungunya, menos internações, menos afastamento do trabalho”, destacou o médico sanitarista Álvaro Madeira.

No Cariri, para mudar esse cenário, a Regenera Cariri irá atuar na ponta final do ciclo dos resíduos sólidos, garantindo que o material coletado tenha o destino ambientalmente adequado, longe do contato com o solo e da acumulação de água parada. “A gestão de resíduos sólidos é, essencialmente, uma ação de saúde pública. Quando o cidadão descarta corretamente e o resíduo tem destino adequado, estamos interrompendo o ciclo de reprodução de doenças”, afirma Ingrid Botelho, gerente da Regenera Cariri.

*Sobre a Regenera Cariri*
A Regenera Cariri será responsável pela gestão e tratamento dos resíduos sólidos urbanos em nove cidades da região. As prefeituras de cada município seguirão responsáveis pela coleta de resíduos. A gestão correta dos resíduos vai contribuir para a preservação ambiental, em especial das fontes de águas subterrâneas; além de ampliar o potencial de geração de renda dos catadores, que poderão ter, ainda, melhores condições de saúde e segurança na atividade. 

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