
A história de vida, a musicalidade, as parcerias e as composições de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, muito já se sabe, mas o jovem músico e produtor cultural Gustavo Nogueira, fã e ‘gonzagueano’ que está escrevendo um livro “Eterno Cantador: Vida, Obra e Legado de Luiz Gonzaga”, tem um capítulo especial sobre as visitas e passagens de Luiz Gonzaga por Iguatu.
“Estou procurando memórias, preciso de ajuda para esse capítulo especial. Estou em busca de testemunhas que presenciaram shows de Luiz Gonzaga em praça pública ou em outros espaços da cidade. Procuro também informações sobre sua hospedagem e interações sociais, a fim de resgatar histórias curiosas ou emocionantes daquele período. Caso tenham fotos, ingressos, autógrafos, recortes de jornal ou discos, aceito doações ou empréstimos para digitalização. A autoria de todo o material cedido será devidamente creditada no livro”, conta o jovem o ‘gonzagueano’.
Gustavo Nogueira colocou seu contato do WhatsApp (88) 9.9208-5566 e também e-mail: gustavonogueira168@gmail.com à disposição. “Eu estou há um tempo garimpando Gonzaga. Estou na luta correndo atrás de pessoas que sabem ou tiveram acesso das vindas dele a Iguatu e também tem materiais que possam comprovar essas vindas, discos autografados, revistas, recortes de jornais, que tudo isso será digitalizado e creditado. Estou estudando muito a vida e obra de Luiz Gonzaga, mas quero esses relatos diferentes. Tenho um vasto material que tenho juntado que serve de pesquisa. Eu planejo fazer esse capítulo inteiro com essas passagens de Luiz por aqui. Já que Iguatu é terra de um dos seus parceiros, Dr. Humberto Teixeira”, comentou Gustavo.

O menino e o Rei
Um dos primeiros contatos de Gustavo com a história e musicalidade com Luiz Gonzaga foi ainda na escola. Em 2012, um menino dentre tantos outros recebeu uma tarefa de ler para a escola a biografia de Luiz Gonzaga, que naquele completaria 100 anos, se fosse vivo. “Eu não entendia por que tantas pessoas o amavam tanto, por que comemoravam a vida de alguém que já não estava entre nós e, principalmente, por que ele era importante. Eram minhas indagações”, disse. A partir daquele momento tudo foi mudando. Leu cada palavra com atenção, sem imaginar que aquelas páginas mudariam sua vida. “Lembro que me tocou. É tanto que pedi a minha mãe um CD ou DVD daquele artista. Meu avô, já fã, me deu um CD, e minha mãe um DVD: um especial gravado para a TV Globo. E cada gesto, cada história, cada música me deixou mais fascinado, assisti tanto que o DVD se estragou”, recorda.
Com o passar do tempo o menino, já rapaz, escolheu mesmo que sem tanto contato, nunca esqueceu aquele homem de chapéu de couro e gibão ficou. “Numa aula, um professor passou um filme sobre a vida de Luiz Gonzaga. Assistir àquele filme reacendeu uma antiga chama guardada no meu coração que estava adormecida, mas que voltou mais forte que nunca. Isso percebi que além de ler e conhecer a história de Luiz Gonzaga, eu precisava também falar dele, daquele homem, como personagem central a ponte que uniria todas as outras histórias. E então, mais uma vez, meu avô foi crucial. Ele me levou à terra natal, em Exu, Pernambuco. E foi ali, diante do mausoléu, que fiz uma promessa silenciosa que escreveria um livro, como forma de agradecimento e gratidão por tudo que ele lhe proporcionou ao longo da vida, por tudo que ele ainda o inspirava. Esta é um pouco da história de como conheci seu Luiz Gonzaga”, conta.

Narrativa viva
“Quero conhecer e repassar um pouco mais sobre o homem que mudou a música popular brasileira para sempre. Mas, afinal, o que vou falar que já não foram contadas tantas e tantas vezes por outras excelentes pessoas que o biografaram? O que fazer de diferente para que não fique repetido? O que me proponho a fazer neste livro não é apenas repetir datas, fatos ou cifras de sucessos. Quero contar a história de Luiz Gonzaga através dos olhos de quem se apaixonou por sua música, de quem sentiu o pulsar do Nordeste e do baião correndo nas veias. Quero mostrar o homem por trás do chapéu de couro, o viajante incansável, o filho de Exu que carregou sua terra no peito e espalhou sua cultura pelo Brasil inteiro. Não se trata apenas de um registro histórico. Trata-se de mergulhar na vida de alguém que transformou sua própria trajetória em poesia, em festa, em dor e em esperança. Um homem que falava de amor e de saudade com a mesma intensidade que o resfolego de sua sanfona, um homem que tornou cada palco em um pedaço do sertão, e cada canção em uma narrativa viva”, destaca.

O jovem espera conseguir algo que vá além do que já foi escrito. “Compartilhar como Luiz Gonzaga impactou minha vida, como fez o menino que eu fui se tornar um observador e guardião de sua memória, e como sua obra continua ecoando, mesmo décadas depois de sua partida. Aqui, você não encontrará apenas fatos; encontrará encontros, impressões, descobertas, memórias e emoção. Mais do que uma biografia, esta é uma conversa. Uma viagem pelas veredas da vida de um homem que tornou a música nordestina universal, contado por alguém que, um dia, começou apenas lendo sua história em voz alta para a escola… e nunca mais deixou de ouvir o seu canto”, pontuou.
Gustavo destaca que em breve espera falar mais sobre a obra “Eterno Cantador: Vida, Obra e Legado de Luiz Gonzaga”. “Em 2012, um menino entre tantos outros recebeu a tarefa de ler sobre um homem que completava cem anos. Ele não entendia por que tanta gente celebrava alguém que já não estava ali. Não sabia ainda que, ao terminar aquelas páginas, nunca mais seria o mesmo”.

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