As costuras políticas seguem em andamento, mas o cenário ainda é de insegurança para Ciro Gomes na tentativa de consolidar uma base partidária em torno da aliança liderada pelo PSDB rumo à disputa pelo Governo do Estado. Ciro, embora não tenha assumido oficialmente a pré-candidatura, é tido como o nome da oposição mais forte eleitoralmente.
A divisão interna no União Brasil e o distanciamento do PL fragilizam, neste momento, a formação de um bloco oposicionista coeso. Há temor de isolamento do PSDB, caso o PL rejeite a aliança com os tucanos e o União Brasil embarque na aliança com o PT.
MOSES E O UNIÃO BRASIL
As declarações do deputado federal Moses Rodrigues acentuaram esse quadro de instabilidade. Ao afirmar que, independentemente da posição do União Brasil, trabalhará pela reeleição do governador Elmano de Freitas, Moses ignorou possíveis candidaturas da aliança PSDB–União Brasil tanto ao governo quanto ao Senado.
A postura de Moses deixou margem para diferentes interpretações e ampliou as incertezas sobre os rumos da oposição sob a liderança de Ciro Gomes.
O grupo ligado ao Capitão Wagner, que comanda o União Brasil, dá como certa a entrada da sigla no palanque de Ciro. Moses Rodrigues entrou, porém, em outro caminho e, de forma direta, afirmou que,?se assumir o comando da Federação União Progressista no Ceará – bloco formado pelo UB e PP, levará as duas siglas para o palanque de Elmano de Freitas.
O movimento fragiliza as articulações da oposição e reforça a dificuldade de Ciro em manter aliados estratégicos. Com a mesma linha de pensamento de Moses, está a deputada federal Fernanda Pessoa.
Ciro Gomes busca avaliar, junto a interlocutores do União Brasil e também do PL, quais caminhos ainda existem para recompor a base partidária e garantir maior estabilidade política. Embora o quadro atual seja de incerteza, há um fator temporal relevante: a definição dos palanques ainda depende dos desdobramentos nacionais e de novas alianças regionais.
