Prefeitura de Juazeiro do Norte
O aumento recente no preço dos combustíveis voltou a provocar indignação e revolta entre consumidores dos municípios do Crato e Juazeiro do Norte, no Cariri cearense. Em diversos postos, a gasolina comum e aditivada já é encontrada na faixa de R$ 6,69 a R$ 6,70, valores considerados abusivos pela população, especialmente quando comparados aos preços praticados no ano passado, quando o litro custava em média R$ 5,58.
Na prática, o reajuste representa uma alta de até 70 centavos por litro, impacto que vem sendo sentido diretamente no orçamento das famílias, sobretudo de trabalhadores que dependem do carro ou da motocicleta diariamente para garantir o sustento.
Em postos como o Posto Juaço e o Posto São Miguel, consumidores relatam surpresa e indignação com a rapidez dos reajustes, que, segundo eles, não são acompanhados por melhorias no serviço nem por explicações claras sobre a formação dos preços.
A comerciária Ana Carolina de Almeida, que mora no Crato e trabalha em Juazeiro do Norte, desabafou sobre a situação:
“Eu abasteço praticamente todos os dias para ir trabalhar em Juazeiro. O que a gente ganha está ficando só para pagar combustível. É um absurdo. Esses preços são abusivos. Cadê os órgãos de defesa do consumidor que não agem para nos proteger? Parece que o povo fica sempre abandonado. Do jeito que está, trabalhar virou quase um sacrifício.”
Segundo Ana Carolina, a sensação é de impotência diante da falta de fiscalização efetiva.
“Não tem lógica um aumento desse tamanho em tão pouco tempo. Deveria existir um controle, um tabelamento. Do jeito que está, cada posto faz o preço que quer”, completou.
A mesma indignação é compartilhada pelo motorista de aplicativo José Wellington da Silva, que depende diretamente do combustível para garantir a renda diária:
“A gasolina subiu, mas a corrida continua a mesma. Quem paga a conta somos nós. Antes eu conseguia trabalhar tranquilo, hoje faço as contas todo dia para ver se vale a pena sair de casa. Um aumento de 70 centavos quebra qualquer planejamento.”
Ele também questiona a uniformidade dos preços:
“Você anda pela cidade e vê praticamente o mesmo valor em todos os postos. Isso levanta suspeitas. Não parece concorrência, parece combinação.”
Já a auxiliar de serviços gerais Maria das Dores Pereira, moradora da periferia do Crato, afirma que o aumento afeta até quem não tem veículo próprio:
“Tudo sobe junto. Quando a gasolina aumenta, sobe o transporte, sobe a comida, sobe tudo. A gente sente no mercado, na feira, no aluguel. O salário não acompanha isso.”
Maria das Dores também critica a ausência do poder público:
“O povo paga imposto demais e, quando precisa, não vê ninguém agir. O consumidor fica desprotegido.”
Especialistas ouvidos informalmente apontam que, embora existam fatores como impostos, logística e variação no preço dos combustíveis nas refinarias, os aumentos sucessivos e quase simultâneos em diferentes postos levantam questionamentos legítimos sobre a prática de preços no varejo.
Consumidores cobram uma atuação mais firme de órgãos como Procon, Ministério Público e demais entidades de fiscalização, para investigar possíveis abusos e garantir transparência na formação dos preços. Muitos defendem, inclusive, a divulgação clara de notas fiscais, custos e margens de lucro praticadas pelos postos.
Nas redes sociais, a revolta também cresce. Moradores dos dois municípios relatam que estão reduzindo deslocamentos, deixando de sair com o carro e até repensando empregos em cidades vizinhas devido ao alto custo do combustível.
“Do jeito que está, trabalhar longe virou luxo”, escreveu um internauta em um grupo local.
Enquanto isso, a população segue pagando a conta, sem respostas concretas e com a sensação de que o consumidor continua sendo o elo mais fraco da cadeia. A pergunta que ecoa entre os motoristas é direta: até quando o povo vai arcar sozinho com reajustes tão pesados, sem fiscalização e sem proteção efetiva de seus direitos?