A agenda do Tribunal Superior Eleitoral para as eleições de 2026 já tem definida uma de suas maiores preocupações institucionais: a infiltração de facções criminosas no processo eleitoral. A inquietação não é teórica. Nos últimos dias, operações da Polícia Federal e decisões judiciais revelaram tentáculos políticos usados para blindar integrantes de organizações criminosas, inclusive do Comando Vermelho.
O sinal de alerta já havia sido acionado em 2024, durante as eleições municipais. À época, a presidente do TSE, a ministra Cármen Lúcia, e a própria Organização dos Estados Americanos chamaram atenção para o uso do capital político, das redes de influência e do financiamento ilegal por organizações criminosas no processo eleitoral brasileiro.
O repórter Carlos Silva destaca, no Jornal Alerta Geral, que, diversas manifestações públicas, Cármen Lúcia foi enfática ao afirmar que a tentativa de infiltração do crime organizado na política “não pode ser subestimada” e constitui uma ameaça direta à democracia
A preocupação ganhou ainda mais força em março deste ano, quando o TSE, por unanimidade, consolidou a tese de que a vedação de candidatura de integrante de organização paramilitar ou congênere decorre diretamente da Constituição Federal.
O entendimento estabelece que nenhum grupo criminoso pode, direta ou indiretamente, interferir no processo eleitoral, com base no artigo 17, parágrafo 4º.
SEM FRCHAR OS OLHOS
“A Justiça Eleitoral não pode fechar os olhos à realidade nacional na qual organizações criminosas buscam se infiltrar na política, numa simbiose entre atuação estatal e continuidade delitiva”, destacou o ministro, em voto seguido por unanimidade.
Com esses precedentes, o TSE se prepara para adotar medidas mais rigorosas de fiscalização e controle nas eleições de 2026, diante da evidência de que o avanço do crime organizado sobre a política deixou de ser uma ameaça periférica e passou a ocupar o centro das preocupações institucionais do país.
