Entre eventos, poesia e ação social, Priscila Cavalcanti eterniza trajetória em novo livro

Blog do  Amaury Alencar
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Com uma trajetória que atravessa décadas, linguagens e causas sociais, a escritora, cerimonialista e promotora de eventos Priscila Cavalcanti lança, no próximo dia 22 de dezembro, o quinto livro de sua carreira “A Trilogia da Priscila”, reunindo Poemas, Sagas e Resenhas.
O lançamento acontece no Espaço Cultural Premius, no bairro Benfica. A obra integra uma trilogia concebida para preservar memórias, sentimentos e experiências acumuladas ao longo de uma vida marcada pelo fazer coletivo e pela escrita.
Com mais de 35 anos de atuação na área de eventos e cerca de 20 dedicados à literatura, Priscila se define como “um ser humano atrevido”.

“Eu vim a este mundo para participar”, afirma. Cearense, envolvida com a cena cultural local e integrante de sete academias literárias, ela construiu uma produção que dialoga com poesia, resenhas, sagas pessoais e temas sociais, sempre atravessada pela vivência cotidiana.
A escrita, segundo a autora, surgiu quase como um refúgio. Após jornadas intensas no universo dos eventos marcadas por euforia, responsabilidade e exaustão, vinha a nostalgia. Era nesse intervalo silencioso que os textos começavam a nascer.
“No início, escrevia no fim da tarde, no fim da noite. Hoje escrevo em qualquer lugar, até em festa de Carnaval”, conta. Para Priscila, escrever é algo que pulsa no DNA, alimentado pela observação da vida e pelas experiências acumuladas.

O primeiro livro, um pequeno volume de bolso, foi inteiramente patrocinado pelo mercado imobiliário e distribuído gratuitamente. Foram três mil exemplares entregues como presente, gesto que simboliza a relação afetiva que a autora mantém com a literatura.
“Eu não queria vender, queria presentear”, relembra. Para tornar cada exemplar ainda mais singular, Priscila inovou ao autografar os livros com a marca de um batom vermelho, transformando o gesto em memória sensorial.
Em “Pinceladas com Deus”, Priscila fez uma pesquisa minuciosa em 50 municípios do Ceará para mapear manifestações religiosas diversas, adotando uma abordagem laica e plural. A iniciativa nasceu da percepção de uma ausência no debate cultural do Estado.
“Eu fui estudar e vi que o turismo religioso no Ceará tinha uma lacuna aberta. Eu disse: ‘Vamos preencher essa lacuna’”, relata. “O Ceará tem 184 municípios. O Ministério havia selecionado 70, mas eu fui mais rigorosa e escolhi 50”, completa.

O livro, hoje esgotado, tornou-se referência por registrar não apenas a tradição católica, mas também outras expressões de fé presentes no território cearense. “O Brasil é um Estado laico, então por que eu iria excluir outras religiões?”, questiona a autora, que já planeja uma edição atualizada da obra.
Outro capítulo marcante de sua trajetória nasceu de forma inusitada: a relação com a boneca Barbie. Ao completar 50 anos, Priscila organizou uma festa temática que acabou se transformando em um projeto social duradouro. “No dia seguinte, eu pensei: o que vou fazer com tantas bonecas? Foi quando decidi transformar aquilo em ação social”, recorda.

As bonecas passaram a integrar exposições anuais, cuja renda é revertida para instituições como a Casa de Jeremias, que acolhe crianças aguardando adoção, e a Associação Lar Amigos de Jesus, que assiste crianças com câncer vindas do interior do Ceará.
A experiência deu origem ao livro “A Saga da Priscila e da Barbie com suas Fases e Faces Vitais”, no qual a autora registra a dimensão solidária do projeto.

A literatura também foi espaço para revisitar a infância. Em “Olívia Palito”, Priscila ressignifica um apelido que a marcou quando criança, transformando-o em narrativa e antologia poética apresentada em concurso literário. Mesmo sem premiação, a obra ganhou vida própria, reafirmando o caráter autobiográfico que atravessa grande parte de sua escrita.

A trilogia da Priscila


O lançamento reúne esse percurso. A Trilogia da Priscila foi construída a partir de mais de cinco mil textos publicados ao longo dos anos em arquivos pessoais e redes sociais.
“Eu queria deixar essa história para meus netos e para os filhos das minhas amigas”, explica. Organizada em três volumes identificados pelas cores primárias azul, rosa e amarelo, a obra soma 336 páginas e propõe um mergulho sensível em poemas, sagas e resenhas que transitam entre o pessoal, o jurídico e o afetivo.
Durante a entrevista, Priscila ainda compartilhou o poema Buquê de Corações, no qual traduz, em versos, a delicadeza que permeia sua escrita: “O nosso buquê de corações é construído de palpitações, banhado de rubro sangue, ladeado de elos de emoções”.
Mais do que lançar um livro, Priscila Cavalcanti reafirma, com esta nova obra, uma trajetória construída entre palavras e gestos de cuidado, uma escrita que nasce da vida e retorna a ela em forma de memória, afeto e ação social.

Por Querol Carvalho

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