
O Ministério Público do Ceará (MPCE), por meio do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e da 5ª Promotoria de Justiça de Iguatu, deflagrou na manhã desta sexta-feira, 14, a Operação “Vitrine”, que investiga possíveis fraudes e desvios de recursos públicos em contratos celebrados pela Prefeitura de Iguatu em 2024. A ação contou com apoio da Polícia Civil, que cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Iguatu, Icó e Juazeiro do Norte.
As diligências ocorreram na sede do Poder Executivo, em uma secretaria municipal, além de endereços ligados à empresa investigada e às residências da sócia proprietária e de ex-servidores públicos. Entre os alvos das buscas estão ainda pessoas relacionadas à empresa SL Bezerra de Andrade, incluindo Sâmia Letícia Bezerra de Andrade, Raimundo Nonato Ferreira Ló e Elane de Lavor Barbosa, ex-secretária de Educação e sobrinha do ex-prefeito Ednaldo Lavor. Equipes estiveram logo cedo no distrito de Alencar, onde Elane reside.

Contratos sob suspeita
De acordo com o Ministério Público, a investigação apura suposto desvio de recursos públicos mediante fraude em contratos de transporte escolar e fornecimento de merenda firmados pela Prefeitura de Iguatu em 2024. Somente neste ano, os contratos sob análise somam mais de R$ 12 milhões, de acordo com documentos avaliados pelo GECOC.
O MPCE afirma que a empresa alvo da operação não possuía capacidade estrutural para executar os serviços pelos quais foi contratada. Além disso, as investigações apontam que a proprietária seria uma “sócia-laranja”, apresentando padrão econômico incompatível com o patrimônio declarado e com o volume de contratos recebidos. Segundo o órgão, a empresa foi beneficiada por seguidas dispensas de licitação, chegando a faturar mais de R$ 7 milhões apenas em 2024.

Próximos passos
As suspeitas levantadas nas investigações preliminares incluem: corrupção, fraude à licitação, peculato, falsidade ideológica, associação criminosa, lavagem de dinheiro e atos de improbidade administrativa, ligados ao suposto enriquecimento ilícito e dano ao erário.
Os mandados autorizados pela Justiça incluem buscas pessoais e domiciliares, além da quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados. O objetivo é reunir provas que confirmem ou descartem irregularidades suspeitas.
Todo o material apreendido – documentos, celulares e computadores – será analisado pelo Ministério Público, que dará continuidade às investigações.
A reportagem não conseguiu contato com os investigados até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações futuras.
Jornal a Praça