Após incêndio, futuro do Hospital César Cals segue incerto

Blog do  Amaury Alencar
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Mais de dez dias após o incêndio que atingiu a subestação elétrica externa do Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), o futuro de um dos equipamentos mais tradicionais da saúde pública no Ceará segue indefinido. O prédio permanece fechado, sem previsão de reabertura, enquanto servidores, pacientes e especialistas demonstram preocupação com um possível esvaziamento da unidade.

Embora a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) negue que haja plano do Governo do Estado para fechar o hospital, ainda não existe previsão para o início das obras prometidas.

“O governador Elmano de Freitas já informou publicamente que o prédio do HGCC passará por reforma. A definição do cronograma de obras depende da conclusão dos laudos técnicos atualmente em elaboração”, informa a secretaria, em nota enviada ao O Estado.

O posicionamento reforça o cenário de incerteza que tem marcado a rotina de trabalhadores e usuários. A reforma foi anunciada pelo governador Elmano de Freitas, mas não houve detalhamento sobre prazos, etapas ou como o atendimento será reorganizado durante o período de intervenções.

Segundo a Sesa, “não existe qualquer plano do Governo do Estado de fechar o Hospital Geral Dr. César Cals”. A secretaria reforça que “não houve redução na oferta de leitos”, mesmo com a readequação no funcionamento. Para assegurar a continuidade do atendimento, foram disponibilizados 285 leitos nas redes estadual e municipal, 185 no Hospital Universitário do Ceará (HUC), 60 no Hospital da Mulher e 40 no Gonzaguinha de Messejana.

Sobre os funcionários, a pasta assegura que “os direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores do HGCC estão garantidos” e que mantém com a categoria um processo de diálogo “permanente, com transparência e acolhimento”.  A gestão, diz o texto, tem realizado encontros para construir “um plano de redimensionamento que considere tanto as solicitações da categoria quanto o perfil assistencial das unidades da Rede Sesa”.

Apesar das garantias, parte dos serviços do César Cals já foi remanejada. Porém, não elimina as dúvidas entre profissionais e usuários sobre como ficará a assistência enquanto a estrutura permanecer fechada. Ainda não há previsão para  conclusão dos laudos técnicos. O material será determinante para indicar os próximos passos.

Tradição e futuro incerto

Fundado há quase cem anos, o César Cals consolidou-se como referência em obstetrícia, neonatologia e cirurgias de alta complexidade. Também se tornou símbolo da saúde pública cearense pelo volume de atendimentos e pela formação de profissionais.

O fechamento da unidade é noticiado desde a inauguração do Hospital Universitário do Ceará, que recebeu parte dos equipamentos e dos atendimentos do César Cals, assim como outras unidades de saúde. O incêndio acelerou esse processo.

Até o momento, nenhuma data foi divulgada para o retorno, mesmo que parcial, do atendimento. Informações essenciais, como os laudos completos sobre os danos e a lista de serviços que serão retomados, também não vieram a público.

Deputados de oposição cobram agilidade na entrega dos laudos para regularização das atividades do César Cals. Eles apontam para um possível “esvaziamento” ou fechamento definitivo do César Cals, o que teria sido acelerado com o incêndio. A gestão estadual nega essa possibilidade.

Sem clareza sobre obras, prazos e reativação dos serviços, cresce a cobrança por transparência e planejamento. Para profissionais e usuários, o que está em jogo é a preservação de um dos pilares do atendimento público em Fortaleza.

Por Querol Carvalho

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