A esperança dos produtores rurais do distrito de Palestina, em Mauriti, está cada vez mais próxima — e, ao mesmo tempo, mais distante — das águas do Rio São Francisco. A poucos metros do canal da Transposição, centenas de famílias convivem com a seca e com o colapso do Açude Quixabinha, que hoje opera com apenas 11% de sua capacidade, segundo dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (COGERH).
A cena é de resistência: plantações reduzidas, gado sofrendo sem pasto e poços cada vez mais profundos. O reservatório, essencial para irrigação, piscicultura e agricultura familiar, é hoje o segundo com pior recarga hídrica na Bacia do Salgado, de acordo com a COGERH. A alocação de água definida no fim de julho — de apenas 80 litros por segundo — não tem sido suficiente para evitar o colapso.
“Antes a gente vivia bem. A água descia direto do açude, irrigava tudo, o gado tinha onde beber e a gente plantava com fartura. Hoje, é só sofrimento”, lamenta um dos moradores da comunidade, que tenta manter pequenas lavouras de banana, milho e feijão com água de poço.
A escassez afeta não só a agricultura, mas também a pesca e o turismo. O comerciante Francisco, dono de um restaurante às margens do açude, resume o drama: “Hoje ele não serve pra nada. Nem pra nós, nem pros pescadores, nem pro turismo. A barragem está morta.”
Apesar do cenário de desolação, há uma chama de esperança. O canal da Transposição do São Francisco passa a poucos metros da comunidade, e produtores pedem que parte dessa água seja liberada para abastecer o Açude Quixabinha.
O apelo é antigo, mas ganhou força com a visita do ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, que esteve em Mauriti e garantiu que os estudos de viabilidade estão em andamento. O projeto prevê o uso controlado das águas da Transposição para revitalizar o reservatório e impulsionar a produção irrigada no município.
“A água está perto, falta vontade política”, dizem moradores
A reivindicação dos agricultores é clara: transformar o potencial da Transposição em realidade concreta. Para eles, a obra monumental do Velho Chico não pode ser apenas um canal passando ao lado de comunidades sedentas.
“Temos fé que esse projeto saia do papel. A Transposição precisa servir ao povo que vive da terra. É água, é vida, é o futuro de Mauriti”, defendeu um líder local da comunidade de Palestina.
Opinião do prefeito João Paulo Furtado
“O drama vivido pelos agricultores de Palestina é o retrato da urgência de uma política hídrica mais justa para o nosso interior. Estamos em diálogo com o Governo Federal e com o ministro Waldez Góes para garantir que a água da Transposição chegue onde precisa chegar — aos reservatórios que alimentam nossa produção e sustentam nossas famílias. O Açude Quixabinha não pode morrer de sede com o Rio São Francisco passando ao lado. Essa é uma luta de justiça e sobrevivência para o povo de Mauriti.”
