Estudo aponta que só 35% das empresas estão preparadas para a Reforma Tributária do consumo

Blog do  Amaury Alencar
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Apenas 35% das empresas brasileiras estão adaptadas às mudanças trazidas pela Reforma Tributária do consumo, segundo estudo da Thomson Reuters. O dado evidencia a dimensão do desafio para o setor privado na transição ao modelo de IVA Dual, que criará a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O cronograma de implementação começa em 2026 e se estende até 2033, período em que o regime atual e o novo conviverão.
Para Felipe Martins, especialista em Gestão de Riscos e sócio da ABAX Consultoria, o resultado mostra que a reforma vai muito além da esfera fiscal. Segundo ele, não se trata apenas de substituir tributos, mas de revisar toda a estrutura contábil, os controles internos e os sistemas das companhias. A baixa taxa de adaptação, afirma, reforça a urgência de um diagnóstico profundo e de um plano de adequação consistente.
Com a substituição de PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI por CBS e IBS, as empresas precisarão rever critérios de reconhecimento de receitas, recalibrar provisões tributárias, atualizar seus ERPs e fortalecer os controles para operar créditos e débitos do IVA com maior granularidade e rastreabilidade. A coexistência dos dois regimes durante a transição tende a elevar a complexidade operacional e o risco de inconsistências, sobretudo em organizações com ampla variedade de produtos, operações interestaduais e múltiplos canais de venda.
A rastreabilidade das informações fiscais torna-se ponto crítico. O novo modelo dependerá da consistência de dados entre as áreas de compras, vendas e contabilidade, exigindo processos integrados, cadastros saneados, classificação fiscal coerente e auditorias automatizadas. Para Martins, o levantamento da Thomson Reuters funciona como um sinal de alerta para que as empresas que ainda não iniciaram sua adaptação avancem rapidamente, aproveitando o tempo disponível para reduzir riscos e ganhar eficiência.
Mais do que uma mudança tributária, a reforma inaugura um novo paradigma de governança e planejamento fiscal. As companhias que encararem o processo de forma estratégica, tratando dados como um ativo regulatório e alinhando tecnologia à operação, tendem a capturar ganhos de produtividade, mitigar contingências e se posicionar melhor em um ambiente econômico mais moderno, competitivo e transparente.

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