
O setor mineral do Ceará entra em 2025 com perspectivas otimistas e planos ambiciosos para ampliar sua participação no mercado internacional. De acordo com o Sindicato do Mármore e Granito do Ceará (Simagran), as exportações de minerais devem alcançar a marca de US$ 100 milhões no próximo ano, puxadas principalmente pelo mármore, granito e quartzito, que juntos representam cerca de 70% das vendas externas.
Para discutir os rumos da atividade, será realizado o V Encontro Estadual de Mineração e I Seminário de Minerais Críticos, promovido pelo Simagran e pela Federação das Indústrias do Ceará (Fiec). O evento acontece nos dias 11 e 12 de setembro, a partir das 9h, no auditório Waldyr Diogo, sede da Fiec, em Fortaleza, e deve reunir entre 700 e 800 participantes, entre empresários, técnicos, gestores públicos e especialistas.
Entre os convidados estão nomes de peso como o ex-ministro Raul Jungmann, atual presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), e o governador Elmano de Freitas, além do secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Domingos Filho. Segundo ele, o encontro será estratégico para analisar as projeções e consolidar a mineração como vetor de desenvolvimento no Ceará. “Apoiamos a iniciativa, visto que o estado tem potencial e a cadeia produtiva de minerais é promissora para as exportações, bem como para o desenvolvimento econômico cearense, pois gera diversas oportunidades e empregos também”, afirmou o secretário.
Economia
O setor mineral tem peso expressivo na economia cearense. Estima-se que a atividade injete cerca de R$ 2 bilhões anuais no estado, segundo o presidente do Simagran e diretor da Fiec, Carlos Rubens Alencar. Além do impacto financeiro, ele destacou a relevância social da mineração. “A mineração se diferencia por criar empregos em áreas rurais e remotas, onde há menos alternativas de renda. A rigidez locacional da atividade garante que as oportunidades surjam justamente nas regiões mais pobres, o que é fundamental para reduzir desigualdades”, explicou.
Oportunidades
Embora mármore, granito e quartzito sejam os destaques nas exportações, a cadeia mineral cearense é ampla e diversificada. Inclui insumos estratégicos como minério de ferro, manganês, gipsita, magnésio, micas, calcário e agregados (brita e areia), além da indústria cerâmica, presente em quase todos os municípios do estado. Com essa base, o Ceará busca não apenas consolidar-se como fornecedor de minerais de valor agregado, mas também fortalecer sua posição em minerais críticos, cada vez mais relevantes para a indústria global. O encontro de setembro, segundo organizadores, será uma oportunidade para alinhar políticas públicas, investimentos privados e inovação tecnológica em um setor que promete ganhar ainda mais protagonismo nos próximos anos.
Para o vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE) Anderson Passos Bezerra, o impacto não se limita apenas ao aumento da receita de exportação. “A mineração é uma atividade que gera empregos em regiões interioranas e menos desenvolvidas, contribuindo para a redução das desigualdades regionais e para a interiorização do crescimento econômico. Essa característica de rigidez locacional, como bem ressaltado, é fundamental para dinamizar economias locais que, de outra forma, teriam menos alternativas produtivas”, disse.
Outro ponto a destacar, segundo ele, é a diversificação da pauta mineral do Ceará, que vai muito além do mármore e granito, incluindo ferro, manganês, calcário e insumos para a indústria cerâmica. “Essa diversificação reduz riscos, amplia a base produtiva e fortalece a resiliência econômica do estado. Portanto, encontros como esse são essenciais para alinhar estratégias, atrair investimentos e garantir que o desenvolvimento do setor mineral ocorra de forma sustentável, com ganhos sociais, econômicos e ambientais. O Ceará tem todas as condições de consolidar-se como referência em mineração responsável e competitiva no cenário nacional e internacional”.