Ah, as festas populares! Aqueles eventos mágicos onde a cidade inteira se reúne para celebrar
sua cultura, comer pastel de vento e disputar quem dança mais empolgado ao som de um trio
elétrico desafinado. Mas há uma figura ilustre que nunca falta nessas ocasiões: o político
apaixonado.
Sim, aquele ser iluminado que, curiosamente, adora absolutamente tudo sobre o evento —
mesmo que seja a primeira vez que pisa ali e precise perguntar se aquilo é uma quadrilha ou
uma manifestação. Ele chega sorrindo, cercado de assessores, distribuindo apertos de mão
como se fosse o novo Messias das emendas parlamentares.
— "Eu sempre tive um carinho especial por essa festa! Fiz questão de vir pessoalmente
prestigiar esse momento tão importante!" — diz, enquanto um assessor sussurra o nome da
cidade no ponto eletrônico porque ele já se confundiu com a do município vizinho.
E lá vai ele, tirando selfie com o pessoal da barraca do cachorro-quente (sem comer nada, é
claro, porque vai que passa mal e vira meme), tirando foto com a rainha da festa (com a
esposa mandando mensagem no WhatsApp perguntando “quem é essa?”) e, principalmente,
tentando subir no palco em busca do microfone mais próximo para discursar por sete minutos
sobre como sempre sonhou com aquele evento que descobriu ontem.
Mas o mais bonito é a sinceridade. Afinal, todos ali sabem que ele só apareceu porque tem
eleição no horizonte — ou no mínimo, uma chance de sair na TV local e garantir mais uns
cliques no Instagram com a legenda: “Festa linda, povo acolhedor. Contem sempre comigo!”
(tradução: “Vote em mim, se der”).
E assim seguimos, entre bandeirolas e promessas, com políticos que amam profundamente
cada cidade… por 15 minutos. Ou até o próximo evento com cobertura da imprensa.
Francisco Leopoldo Martins Filho
Advogado
Membro Efetivo da Comissão Eleitoral da OAB/CE