
Os trabalhadores da construção civil fizeram uma paralisação, na manhã de ontem (30), em frente à Câmara Municipal de Fortaleza. Os manifestantes estão em campanha salarial há duas semanas e recorreram aos vereadores devido a dificuldades para negociar com os empresários.
Na pauta dos trabalhadores estão o reajuste salarial de 8%, o aumento no auxílio da cesta básica de R$ 220 para R$ 250 e a troca do vale-transporte pelo vale-combustível para quem tem seu próprio veículo. A proposta dos empresários, segundo o diretor do sindicato dos trabalhadores da construção civil, Nestor Bezerra, é 5,5% de reajuste salarial, cesta básica de R$ 230 e a manutenção do auxílio para o deslocamento como está.
“Numa carestia que nós estamos hoje, o padrão vem oferecer R$ 10 de reajuste para os trabalhadores. Então, esse é o grande impasse que nós estamos passando na categoria. Então por isso que nós viemos aqui a câmara para ver quais vereadores que podem nos ajudar para ver quais vereadores podem nos ajudar a sair desse impasse”, explicou Nestor.
Logo no início da sessão, o vereador Aguiar Toba (PRD) pediu que fosse definida uma comissão de vereadores para receber os trabalhadores. Participaram do encontro, além de Toba, os parlamentares Tony Brito (PSD) e Gabriel Aguiar (Psol).
“A gente solicita que os empresários, a classe patronal se sensibilize com os trabalhos e veja uma forma de chegar a um consenso e aqueles e aquelas que vão de ônibus recebam o vale-transporte, mas quem não for de ônibus, que tenha seu carro, sua moto, seu transporte, que seja conferido o vale combustível”, pediu o vereador Tony Brito.
Os trabalhadores reclamaram ainda que, nos casos em que recebiam o auxílio para a compra de combustível, os patrões estariam apenas completando o que foi gasto no mês anterior da verba, sem fazer o pagamento integral.
Os patrões estão insistindo numa novidade de só pagar o auxílio de deslocamento para esses trabalhadores a partir do que foi gasto no mês passado. E todo mundo aqui sabe, várias pessoas aqui tem vale transporte, vale gasolina, que você tem uma verba fixa que você recebe todo mês a mesma verba. Não importa se você gastou um pedaço dela ou se gastou toda. É um direito do trabalhador receber a verba todo mês”, defendeu Gabriel.
Na comissão, ficou acertado que os vereadores irão acionar o Ministério Público do Trabalho (MPT) com lista de demandas da categoria. A intenção é que o órgão tome medidas para que os direitos dos trabalhadores sejam garantidos e que se chegue a um acordo.
“Dia 8 nós temos uma assembleia da categoria e vai ser para definir se nós vamos continuar com a mobilização ou se a categoria vai chamar uma greve geral. Porque não dá para uma pauta que está aí tão rebaixada e ainda não ser atendida”, disse Nestor.
Flexibilização do corredor de ônibus
O vereador Benigno Júnior (PSD) aproveitou o mote da fala dos colegas para relembrar o seu projeto de flexibilização dos corredores exclusivos de ônibus nos horários entre os picos de trânsito. Segundo o vereador, a população está utilizando outros modais de transporte, como o VLT, corridas por aplicativo e comprando seus próprios veículos. isso teria contribuído na redução da frota de ônibus de 1.900, em 2015, para 1.200, em 2025.
“Na manifestação dos trabalhadores da construção civil eles pedem que substitua o vale transporte pelo vale combustível, porque muitos têm sua moto, muitos transitam não mais no ônibus e vai no seu próprio transporte. Pauta dos trabalhadores. E o nosso projeto é uma flexibilização no horário entre os picos”, afirmou Benigno.
(Por Maurício Moreira)