
O grupo Coletivo de Pais e Pretendentes à Adoção (COPPA) realizou, na manhã desse domingo (18/05), a 1ª Caminhada da Adoção em Fortaleza. O evento, aberto ao público, buscou sensibilizar a sociedade sobre a importância da adoção legal, combater os preconceitos e dar visibilidade às histórias bem sucedidas de adoção promovidas por meio deste ato de amor e responsabilidade. A concentração aconteceu no estacionamento do Shopping Iguatemi e seguiu até o Parque do Cocó, onde foi realizado um piquenique coletivo e uma roda de conversa sobre as perspectivas da Adoção Legal no Ceará. O momento reuniu famílias adotivas, pretendentes à adoção, profissionais da área e apoiadores da causa em um espaço de celebração, escuta e mobilização cidadã.
A presidente do COPPA, Dominik Fontes, disse que ações como essa são importantes para chamar atenção da sociedade. “A sociedade precisa conhecer mais sobre a causa da adoção e também a quantidade de crianças e adolescentes que hoje estão vivendo longe da convivência familiar. A gente quer ser voz para essas crianças e adolescentes e por isso nos organizamos por meio desse evento e piqueniques. Buscamos discutir os desafios da adoção no Ceará e em Fortaleza, ao tempo em que nos confraternizamos, trazemos nossos filhos para conviver com outras crianças que foram adotadas e dizer que sim, crianças adotivas existem e são legítimas. Essa é uma forma de a gente constituir famílias”, disse.
Construção Familiar
Ao acompanhar a caminhada, o jornal O Estado conversou com Glairta Costa e Thiago Ribeiro, que adotaram o pequeno Matias, hoje com quase três anos. “Ser pai é maravilhoso. Só sabe quem vive essa experiência. É maravilhoso olhar para o seu filho e ver cada dia ele falando uma palavra nova, aprendendo um movimento novo, buscando, descobrindo o mundo”, afirma Thiago. Durante toda a celebração, os convidados vestiram branco, representando a união, paz e compromisso com a causa
Estatísticas
Atualmente, o Ceará possui 861 crianças e adolescentes vivendo em instituições de acolhimento. Dentre elas, 173 estão legalmente disponíveis para adoção. Desse total, 48 estão em busca ativa de uma família adotiva (quando o Judiciário e outros órgãos intensificam os esforços para encontrar pretendentes), e 91 estão em processo de adoção, ou seja, já vinculadas a pretendentes e em fase de aproximação ou conclusão do processo.
Além disso, existem 1.090 pretendentes habilitados e ativos no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA). Entre 2019 e 2025, 592 crianças e adolescentes foram adotadas no Ceará. Já a reintegração familiar, retorno ao convívio com a família de origem, beneficiou 1.063 crianças e adolescentes a partir de 2020.
O promotor de Justiça, Dairton Oliveira, explicou o processo de adoção no Ceará. “O fato social adotivo compõe-se de três pilares básicos de grupos sociais. O primeiro deles, o pretendente à adoção, que é quem tira a criança do acolhimento. O segundo público são as crianças que vivem em instituições de acolhimento. O terceiro e maior de todos os invisíveis seriam as mulheres que entregam seus filhos em adoção. Aquelas famílias que não têm condição de cuidar dos seus e que precisam de políticas públicas também para que possam dispor dessa maternidade de forma consciente”, disse.
(Por Ismael Azevedo)