
A desigualdade de gênero no mercado de trabalho continua sendo um dos principais entraves para o avanço da justiça social e para o pleno desenvolvimento econômico do Brasil. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, foi enfático ao comentar a situação: “Não há nenhuma lógica em as mulheres receberem menos do que os homens exercendo as mesmas funções. A única explicação para isso é o processo discriminatório contra as mulheres.”
A declaração foi feita durante almoço promovido pelos Ministérios do Trabalho e das Mulheres no restaurante Tia Zélia, reunindo autoridades para reforçar o compromisso com a igualdade de gênero no ambiente laboral. Segundo dados do Relatório de Transparência Salarial e de Igualdade, se a equiparação salarial entre homens e mulheres tivesse sido plenamente alcançada em 2024, R$ 95 bilhões poderiam ter sido injetados na economia nacional.
Atualmente, os números revelam disparidades alarmantes: a remuneração média dos homens é de R$ 4.745,53, enquanto a das mulheres é de R$ 3.755,01. Entre as mulheres negras, a média é ainda mais baixa, R$ 2.864,39, o que representa apenas 47,5% do salário de homens não negros, percentual inferior ao registrado em 2023 (50,3%).
Embora o relatório mais recente, divulgado em 7 de abril, indique progressos, como o crescimento da participação das mulheres negras no mercado formal de 3,25 milhões para 3,84 milhões, a desigualdade persiste. A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, celebrou o avanço, mas alertou: “As mulheres negras continuam sendo as mais penalizadas. Ainda temos um longo caminho para garantir igualdade de oportunidades e reconhecimento.”
Outro ponto de destaque foi a constatação de que aumentou o número de estabelecimentos com diferença salarial de até 5% entre homens e mulheres, sinalizando efeitos positivos da nova legislação. Sancionada em julho de 2023, a Lei nº 14.611 obriga empresas com mais de 100 empregados a adotarem mecanismos de transparência, canais de denúncia, ações de combate à discriminação e programas de promoção da equidade.
Dados da RAIS também revelam que o número de vínculos formais de trabalho no país cresceu de 18 para 19 milhões em 2024, sendo metade deles ocupados por mulheres, marco que reforça o protagonismo feminino no mercado, embora ainda cercado por barreiras salariais e estruturais.
Para intensificar esse processo de transformação, o governo lançou o Movimento pela Igualdade no Trabalho, convocando empresas e entidades a aderirem voluntariamente à agenda de equidade. Com participação de setores estratégicos como o bancário e o industrial, o movimento busca ampliar o impacto das políticas públicas e consolidar o compromisso coletivo com a justiça salarial. A desigualdade de gênero, além de injusta, revela-se uma ineficiência econômica com impacto direto sobre o crescimento do país. Superá-la não é apenas um imperativo ético, mas uma medida inteligente de política econômica.