Granjeiro : Com contas de R$ 7 mil, comunidade fica sem água após corte de energia no local que faz abastecimento

Blog do  Amaury Alencar
0



 Moradores do Sítio Cana Brava dos Ferreiras, em Granjeiro, no Cariri , sofreram com falta de água durante uma semana. O problema começou quando foi cortada a energia elétrica do local onde funciona a bomba que abastece a comunidade. A associação comunitária reclama de cobranças abusivas. Uma escola da comunidade precisou suspender as atividades devido à falta de água.

A Enel Distribuição Ceará disse que realizou a suspensão do fornecimento de energia da Associação de Moradores e Amigos do Sítio Cana Brava dos Ferreiras pelo não pagamento de algumas faturas. No entanto, a empresa informou que já solicitou a religação do cliente e está analisando o tema.

A água na região é fornecida pelo Sisar (Sistema Integrado de Saneamento Rural) com sede em Juazeiro do Norte, também no Cariri. O gerente técnico da entidade explicou que, apesar de fornecer o serviço hídrico, a responsabilidade de pagar as contas de energia é da associação comunitária.

"Mensalmente, o Sisar presta esse serviço [de repasse financeiro] à comunidade, por meio do faturamento que é enviado nas contas. A gente fatura por cada usuário que tem hidrômetro", explicou o engenheiro Rodrigo Freitas.

Cobranças abusivas

Já Nonato Sousa, presidente da associação comunitária de Sítio Cana Brava dos Ferreiras, informou que a falta de pagamentos ocorreu porque a entidade tem recebido contas com altos valores, que ele considera abusivos.

g1 teve acesso a algumas contas de energia da associação comunitária. Em um único mês, há duas cobranças emitidas (que mudam apenas a data de vencimento), uma com o valor de R$ 2.455,15 e a outra cobrando R$ 7.470,80 (veja abaixo).

Imagem ReproduçãoImagem Reprodução
Contas de energia em comunidade do Ceará mudam de R$ 2 mil para R$ 7 mil no mesmo mês. — Foto 1: Reprodução — Foto 2: Reprodução


“Eles entregam duas contas de energia num mês só; a conta da energia que a gente já consumiu, com um preço correto, dentro da margem, e a outra eles fazem uma leitura prevendo o que vamos gastar”, reclamou Nonato.

“A gente procurou um advogado e entrou na Justiça para que a Enel fizesse a cobrança de forma correta”, disse o líder comunitário. “Eles fazem isso para tentar que a gente ceda e coloque a comunidade para pagar uma conta absurda de algo que a gente não está consumindo”, complementou Nonato.

Uma decisão judicial de outubro de 2023, expedida pela Comarca de Caririaçu — município também na região do Cariri —, determinou que a Enel não poderia fazer cortes de energia até uma sentença do processo ou decisão contrária.

Escola paralisa atividades

Escola em Granjeiro precisou pegar água com vizinhos para evitar cancelar aulas, no Ceará. — Foto: Reprodução

Escola em Granjeiro precisou pegar água com vizinhos para evitar cancelar aulas, no Ceará. — Foto: Reprodução

O g1 conversou com Elisângela Dias de Carvalho, diretora da Escola Augusto Ferreira da Silva, que fica na comunidade. Ela informou que a unidade paralisou as atividades nesta quinta-feira (14), devido à falta de água.

Desde o corte, a escola continuou funcionando com medidas improvisadas, como pedir água de vizinhos que possuem poços ou até mesmo comprar água de um vendedor.

“Isso para poder oferecer a merenda e o almoço, porque alguns alunos ficam em tempo integral”, disse Elisângela. A paralisação afeta cerca de 200 estudantes, conforme a diretora.

“Não tem mais como continuar porque é uma sobrecarga grande estar carregando água. É muita coisa porque tem o consumo dos alunos, tem o banho de alguns que passam o dia aqui”, complementou.


                                       G1 CE 

Postar um comentário

0Comentários
Postar um comentário (0)