Estudantes do curso de robótica do Labinec, projeto que objetiva a inclusão digital e social de crianças e jovens promovido pelo Instituto Nordeste Cidadania (Inec), criaram um dispositivo de locomoção voltado para pessoas cegas ou com deficiência visual, como forma de complementar o uso da bengala. O produto é fruto de uma atividade proposta à turma de iniciação à robótica do Projeto localizado no bairro Vila União, em Fortaleza, que é composta por alunos na faixa etária dos 10 aos 15 anos.
O equipamento tem como objetivo complementar a bengala tradicional. Para isso, o produto utiliza um sensor de distância ultrassônico e um sensor infravermelho, um motor de vibração e um arduino, uma placa eletrônica de código aberto baseada em hardware e software descomplicados.

Os sensores foram colocados em um boné, o que torna possível detectar irregularidades desde a altura da cabeça do usuário até o piso, por exemplo. Os dados captados pelos sensores são processados pelo arduino que, por sua vez, envia um pulso para os motores de vibração. Quando detectado algum obstáculo, os motores emitem uma vibração que apita em intervalos.
O tipo de vibração e do som mudam de acordo com a situação detectada pelo sensor, o que permite ao usuário interpretar o estímulo com clareza e entender o que está à sua frente. Assim a pessoa tem uma noção da distância do obstáculo pelo ritmo do som e pode evitar colidir quando se locomove. Enquanto o uso da bengala só protege de obstáculos do chão até a altura da cintura, o chapéu sonar pode evitar obstáculos como tendas, galhos, placas etc.
A ideia de construir um equipamento de acessibilidade surgiu a partir da experiência pessoal do professor Gabura, que teve contato com um colega com deficiência visual num outro curso em que leciona no bairro Bom Jardim. Graduado em Audiovisual e Novas Mídias, ele atua como Professor de Cultura Digital na Escola de Cultura e Artes do Centro Cultural Bom Jardim (ECA/CCBJ) e como professor de Robótica no Labinec, e também tem experiência de ensino voltada à Criação de Games; Eletrônica; Robótica; Design Digital; Informática e Inclusão Digital.
Para complementar a atividade, o professor encarregou dois alunos, Levi Rodrigues Silva e Calebe Rodrigues da Silva, ambos de 11 anos, de melhorarem o protótipo. Os alunos apresentarão o projeto finalizado e pronto para uso no dia 21 de dezembro, na ocasião do encerramento das atividades do projeto.
Outro ponto importante durante o processo de criação foi o custo. Os alunos queriam criar algo que fosse acessível financeiramente para os usuários. O objetivo é que o dispositivo possa dar mais autonomia às pessoas cegas ou com deficiência visual.
O Labinec visa promover o uso e a apropriação de tecnologias para solução de problemas, estimulando o potencial criativo de crianças, adolescentes e jovens com idades entre 10 e 21 anos, estudantes de instituições públicas. É fundamentado na cultura Maker, que incentiva a aprendizagem informal, social e cooperativa com foco na criação de objetos e dispositivos (robótica, automação, eletrônica, eletroeletrônica e outras formas de fabricação de objetos, jogos digitais e desenvolvimento de aplicativos). Atualmente, o projeto está presente nos municípios cearenses de Itapiúna, Fortaleza e Maracanaú e contempla mais de 240 alunos.
Sobre o Inec
Fundado em 1993, o Instituto Nordeste Cidadania (Inec) é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) que tem como foco principal o desenvolvimento sustentável de comunidades na região Nordeste do Brasil. Atua por meio de projetos socioambientais nas áreas cultural, de tecnologia e desenvolvimento comunitário, atendendo crianças, jovens e adultos. Saiba mais em www.inec.org.br