O fóssil do Ubirajara jubatus, dinossauro datado o período Cretáceo, que viveu há cerca de 110 milhões de anos, foi levado, de forma ilegal, do Ceará, nos anos 1995. Há pelo menos 17 anos a relíquia compunha o acervo do Museu de História Natural de Karlsruhe, na Alemanha. Agora, em solo brasileiro, fará o caminho de volta ao Cariri, para ser entregue ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, da Universidade Regional do Cariri (Urca), unidade estadual vinculada à Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece). Antes, passará por Fortaleza, com cerimônia marcada para esta quarta-feira (14).
Retorno significativo
O professor e diretor do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, localizado em Santana do Cariri, Allyson Pinheiro, celebra o referencial simbólico do retorno do fóssil.
“A vinda do Ubirajara jubatus ao Ceará é muito importante, muito significativa. É um símbolo de que os patrimônios dos territórios pertencem aos povos dos territórios. É um símbolo que a ciência tem limites éticos a serem cumpridos”, pontuou o diretor. Além disso, ele também ressaltou que a relevância da medida vai além da ciência, respingando, inclusive, na economia.
“Essa ação é um símbolo também para desenvolvimento desses territórios. Um dinossauro com essa repercussão tem um potencial de atrair um turismo diferenciado, influenciando o desenvolvimento, fazendo a roda da economia girar”, pontuou o professor.
O Cariri possui um projeto de desenvolvimento territorial de mudanças das condições socioeconômicas locais através de objetos como o fóssil Ubirajara, que é um patrimônio paleontológico e geológico brasileiro.
“Sem dúvida estamos diante de um momento histórico. Um réptil que viveu há 110 milhões de anos, que passou cerca de 30 anos fora, retorna ao seu sítio. Temos muito a comemorar, principalmente o Estado do Ceará, que não tem envidado esforços na área da Ciência, notadamente na Paleontologia, uma vocação do estado”, ressaltou a ministra Luciana Santos. “Volto a destacar que nós temos uma relação longeva, de mais de 50 anos, com a Alemanha, temos muitas agendas em comum, a agenda energética, a de transformação digital, então, hoje, reforçamos essa parceria na área da ciência”, completou.
A volta do Ubirajara |