Programa destinará R$ 6,5 milhões a negócios de impacto no Norte e Nordeste

Blog do  Amaury Alencar
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Ticiana Rolim é da cearense Somos Um, que se uniu a empresas Yunus Negócios Sociais Brasil e Trê Investindo com Causa para realização do programa

Ticiana Rolim é da cearense Somos Um, que se uniu a empresas Yunus Negócios Sociais Brasil e Trê Investindo com Causa para realização do programa Crédito: Thais Mesquita


Os negócios de impacto do Norte e Nordeste contam com programa de investimentos com previsão inicial de R$ 6,5 milhões. Os interessados têm até 5 de junho para se inscrever online para a seleção.

Trata-se do Programa Zunne, que terá ainda prioridade para o aporte em projetos com lideranças femininas ou comandados por pessoas pretas e indígenas.

Para o programa de investimentos de impacto social, juntaram-se três organizações: a Yunus Negócios Sociais Brasil, a Trê Investindo com Causa e a cearense Somos Um.


O objetivo do grupo é fomentar uma nova rota de investimentos que não gire apenas em torno do Sudeste e democratize não só o acesso aos recursos - no caso dos negócios investidos - mas "proporcione a oportunidade de mais pessoas tornarem-se investidoras, considerando valores acessíveis para iniciar o investimento."

Quem pode participar do Programa Zunne

  • Ser negócio de impacto socioambiental positivo
  • Reportar impacto
  • Ter atuação nas regiões Norte ou Nordeste
  • Ter faturamento mínimo anual de R$ 400 mil
  • Prioridade para: negócios com liderança feminina e/ou pessoas pretas e indígenas; CNPJ no Norte e Nordeste, oferecer soluções envolvendo os biomas Amazônia ou Caatinga

Para Ticiana Rolim, presidente da Somos Um e uma das idealizadoras do Programa Zunne, apesar de serem as regiões mais pobres do País, o Norte e o Nordeste possuem grande potencial empreendedor.

“Acreditamos que trazer esse instrumento para dar oportunidades para empreendedoras sociais, para que elas empreendam e prosperem, ao mesmo tempo em que ajudam a resolver problemas sociais das regiões, é uma grande chave para que a gente possa reduzir desigualdades e acabar com a pobreza."

Dentre os desafios citados pelo grupo, está o apontado no Censo Gife 2020, em que a atuação do investimento social privado está concentrada na região Sudeste, uma vez que grande parte das operações também fica na região.

O Censo Gife é a principal pesquisa sobre investimento social privado no Brasil. A última edição do levantamento aponta que 77% das iniciativas são desenvolvidas no Sudeste e 29% em todas as demais unidades da Federação.

E, para os criadores do programa Zunne, pelo tamanho das regiões Norte e Nordeste e pela proporção dos desafios enfrentados por elas, o número de recursos sociais investidos nelas ainda é pequeno.

Entenda o impacto social do terceiro setor

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) da ONU, por exemplo, as regiões Norte e Nordeste têm os menores Índices de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM).

Outro desafio, de acordo com o 3º Mapa de Negócios de Impacto Socioambiental, estudo realizado pela Pipe.Social, é que apesar de haver uma equidade de gênero (mulheres estão presentes em 67% dos negócios mapeados e os homens, em 71%), negócios administrados apenas por um time feminino tendem a receber menos recursos financeiros e outros apoios para evoluir na jornada, quando comparados a negócios liderados apenas por um time masculino.

Com isso, elas estão menos presentes entre os negócios em fase de escala (25% contra 35%) e são menos aceleradas (20% conseguiram esse apoio contra 32% dos negócios liderados apenas por homens). Quando as empreendedoras são mulheres negras e indígenas esse desafio se torna ainda pior.

“Não adianta só reclamar que não vem dinheiro. Precisamos ter instrumentos para viabilizar que o dinheiro chegue até as regiões. O Zunne foi esse instrumento criado pelas nossas três organizações para viabilizar que o dinheiro chegue no Norte e Nordeste”, acrescenta Ticiana.

Conheça o Programa Zunne

O Programa Zunne tem estrutura Blended Finance (quando une-se capital filantrópico com investimento). Ou seja, o montante aportado será advindo em parte de doações de filantropos e o restante de recursos de grandes e pequenos investidores (pessoas físicas ou jurídicas).

Será possível fazer investimentos a partir de R$ 1 mil.

Na prática, dos R$ 6,5 milhões iniciais, R$ 1,5 milhão são fruto de doações. Deste R$ 1,5 milhão, foram direcionados R$ 500 mil para apoio técnico e R$ 1 milhão para o fundo garantidor de inadimplência.

Os outros R$ 5 milhões que compõem o programa deverão ser aplicados pelos investidores, sendo R$ 3 milhões distribuídos em 3 cotas de R$ 500 mil e o restante em cotas acima de R$ 100 mil.

Já os pequenos investidores formarão a última fatia de R$ 2 milhões que formam o programa, podendo participar com cotas a partir de R$ 1 mil.

O Zunne oferecerá ao investidor retorno de 10% ao ano sobre os aportes (equivalente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) + premiação), além de fundo garantidor de inadimplência em até 20%. O prazo de carência será de seis meses e o retorno do investimento será em até quatro anos.

O que os negócios de impacto ganham

Além do apoio financeiro, o Zunne oferecerá capacitação com especialistas nas áreas jurídica, financeira, de marketing digital e vendas, gestão de negócios e outras; auxílio e orientação na obtenção de acesso a capital em diferentes formatos, conexões com redes de potenciais clientes e parceiros e coleta de dados financeiros e de impacto para mensuração do impacto alcançado.

Os empréstimos deverão variar entre R$ 100 mil a R$ 500 mil e as taxas de juros sociais girarão em 17,8% ao ano, ou seja, 1,4% ao mês. Os pagamentos poderão ser realizados em até quatro anos, com seis meses de carência.


                                            O POVO 

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