Depósito de medicamentos de São Gonçalo do Amarante é incendiado em quarta noite de ataques no Rio Grande do Norte

Blog do  Amaury Alencar
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A sede da Secretaria Municipal de Saúde de São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal, foi incendiada na madrugada desta sexta-feira (17), quarto dia de ataques no Rio Grande do Norte.


O local mais atingido foi o depósito de medicamentos que ficou destruído. A Prefeitura calcula um prejuízo de mais de R$ 10 milhões


"Aqui estavam todos os medicamentos do município para as unidades básicas de saúde. Isso não é um ataque a uma pessoa, é um ataque a toda uma população que precisa desses remédios", disse o prefeito Eraldo Paiva.


Desde terça-feira (14), 44 cidades foram alvo de ataques criminosos no Rio Grande do Norte. Pelo menos 72 pessoas foram presas, segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública.


Uma operação da polícia cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão, na manhã desta sexta, contra integrantes de facção suspeita de organizar os ataques. De acordo com a polícia, os alvos são ligados à facção 'Sindicato do Crime'.


Ataques desta sexta


Criminosos atearam fogo na guarita do Parque da Cidade, em Natal, durante a madrugada. O Corpo de Bombeiros foi acionado e controlou as chamas. Por volta de 1h20, em São Miguel do Gostoso, dois ônibus foram queimados na garagem de uma empresa privada.

Criminosos queimaram pneus e fecharam a BR-101 durante a madrugada na altura de Canguaretama. Um galpão de reciclagem da cooperativa de Arez também foi incendiado. Para apagar as chamas foi usados o carro pipa de uma usina.

Incêndio na garagem do destacamento da PM de São Vicente, RN
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Incêndio na garagem do destacamento da PM de São Vicente, RN

Em São Vicente, cidade a 200 quilômetros da capital, a garagem do destacamento da Polícia Militar foi incendiada. Um ônibus escolar ficou completamente destruído em Pedra Preta após ser incendiado.

Lajes, Arez, Campo Redondo e Montanhas também registraram ataques nesta madrugada.


Alianças


Autoridades ligadas ao Ministério da Justiça e ao governo do Rio Grande do Norte apontam que duas facções rivais se aliaram --em uma trégua temporária-- nos ataques no estado.

O gatilho para os ataques, segundo informações do governo federal, foi a transferência para fora do estado, em janeiro, de chefes do Sindicato do Crime, principal facção no Rio Grande do Norte. Informações da área de inteligência do governo já apontavam a possibilidade de retaliação depois da transferência.

O Primeiro Comando da Capital (PCC) disputa com a facção as rotas internacionais de cocaína pra Europa a partir do Rio Grande do Norte. A facção, originada em presídios de São Paulo, viu na ação uma oportunidade de reivindicar melhorias nas condições do sistema prisional --houve protesto de familiares em frente a presídios, por exemplo.


As duas facções estavam rompidas desde 2017, quando elas se enfrentaram em uma batalha campal dentro do Presídio Estadual de Alcaçuz; na ocasião, 27 pessoas morreram, na maior e mais violenta rebelião do estado. De 2012, quando a facção potiguar surgiu, até 2016, a convivência entre as duas organizações criminosas foi pacífica.

 

                                                       G1 CE 

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