
Durante a manhã de ontem, 07, os professores da rede municipal participaram de mais um ato de protesto na Câmara Municipal de Fortaleza. Os educadores estão paralisados desde o dia 26 de janeiro, cobrando reajuste de 14,95% no piso salarial, conforme foi anunciado pelo Ministério da Educação (MEC). Durante o ato de ontem, a presidente, Ana Cristina Guilherme, do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sindiute), que está organizando as manifestações, reforçou a importância da pauta que está sendo debatida. “A Secretaria Municipal de Educação (SME) está dizendo que a educação precisa ser de qualidade. Quem garante isso são os professores. Se os professores são de qualidade, precisam ser remunerados com qualidade”, disse.
O ato chegou a ocupar o auditório e parte externa do prédio. Além disso, os 43 representantes legislativos foram cobrados publicamente e uma comissão, com a participação dos vereadores Didi Mangueira e Guilherme Sampaio, recebeu as demandas apresentadas pelo Sindiute.
No protesto, o vereador Gabriel Aguiar se manifestou publicamente apoiando o pedido dos professores. “A mobilização segue linda. Vocês estão mostrando o que é a pressão que se faz quando se luta por uma causa justa”, declarou. “A pauta agora da cidade de Fortaleza é o reajuste do piso dos professores […] O que está em discussão não é quanto se vai dar de reajuste, mas como será dado o reajuste de 14,95%”, pontuou Aguiar, que relembrou que há diversas prefeituras municipais em todo o Ceará já garantiram o reajuste de 14,95% ou mais ao magistério na referência inicial da carreira, o nível médio, e com repercussão nos demais níveis. No final da tarde de ontem, segundo levantamento da Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal do Estado do Ceará (Fetamce), o número chegou a 102. “A capital, com a maior receita, com o melhor orçamento, não ofertar o reajuste mínimo total é inaceitável”, afirmou o vereador.
A vereadora Tia Francisca também se pronunciou sobre a pauta dos professores de Fortaleza. “Tenho certeza que o nosso prefeito, que representa a nossa Fortaleza, onde tem uma das melhores educações, junto com nossos educadores, encontrará a melhor saída para cada um de vocês. Temos a certeza do tamanho da responsabilidade e do carinho que vocês têm pela educação”, afirmou. “É uma bandeira linda e uma bandeira a qual eu represento”, se posicionou.
É válido lembrar que, além do reajuste no piso, os profissionais do magistério também reivindicam outras pautas como respeito ao Plano de Cargos e Carreiras do Magistério; um reajuste não implantado em 2017; carteira assinada para professores substitutos; revogação da alíquota previdenciária de 14% aplicada a aposentados e revisão da reforma da previdência de Fortaleza, além de existirem críticas às “precárias condições de trabalho e de funcionamento das escolas municipais”.
Reajuste dos servidores
Nesta quarta-feira, 08, o Sindiute deveria encontrar-se novamente com o prefeito José Sarto para deliberar sobre possíveis soluções. No entanto, durante a noite de ontem, a Prefeitura de Fortaleza anunciou um reajuste geral de 5,79% para os servidores públicos municipais. De acordo com Ana Cristina Guilherme, o percentual anunciado representa parte do índice que comporá o aumento pleiteado, de quase 15%. Dessa forma, o sindicato realizará uma nova assembleia geral em frente ao Paço Municipal para apreciar uma nova proposta que será encaminhada por escrito à representação sindical.
Na noite de ontem, Sarto também pontuou que os Agentes Comunitários de Saúde e os Agentes de Combate às Endemias receberão o piso de dois salários mínimos. “Também atendemos a reivindicação de aumento no auxílio alimentação, que passará de 13 reais para 15 reais por dia”, detalhou. O secretário do planejamento, orçamento e gestão, Marcelo Pinheiro, porém, destacou que “a despeito de vivermos um cenário financeiro ruim, a Prefeitura faz esse esforço e aponta uma revisão geral que cobre a inflação do ano”. “É o reconhecimento da importância do trabalho do servidor”, disse.
Por Yasmim Rodrigues