A decisão de cancelar as privatizações não é bem-vista por economistas. Na opinião do professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) Alberto Ajzental, Lula pode abrir espaço para o aparelhamento político e permitir o desvio de recursos se optar por manter o controle de diversas empresas públicas.
"É muito suspeito que o governo queira ter tantas empresas. Existe o discurso de proteção de empregos e fortalecimento da soberania nacional, mas tudo isso é uma cortina de fumaça. A verdade é que o governo quer empresas para poder pôr amigos e companheiros, que quando entram vão mexer nos recursos públicos da estatal. Com isso, temos casos de corrupção, desvio de recursos e sumiço do dinheiro dos fundos de pensão de funcionários", diz Ajzental.
O professor questiona o fato de a interrupção do processo de privatização ser feita sem nenhum estudo. "A privatização é um processo bastante técnico. É algo que tem que ser avaliado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e receber várias aprovações. Ou seja, o presidente não decide sozinho, de um dia para o outro. Sendo assim, a decisão de não privatizar deveria seguir essa burocracia. Não deveria ser uma decisão com base apenas na ideologia ou na crença do presidente."
Tribunal de Contas da União, em Brasília
ARQUIVO/LEOPOLDO SILVA/AGÊNCIA SENADOPara Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central, da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ao desistir de privatizações, o governo brasileiro perde a chance de impulsionar a economia.
"Quando o Brasil vende uma empresa estatal, ele pode reduzir a dívida pública, pagar menos juros ou até mesmo gastar mais recursos em outras coisas, sobretudo em programas sociais", comenta.
"Não faz sentido o Brasil ter tantas estatais. Isso é coisa do passado, quando ninguém queria investir no país. Hoje é diferente. Temos que aproveitar o momento e vender empresas que não dão mais lucro nenhum", acrescenta Carlos Thadeu.
R7