Ana Clara esperou cinco horas para descobrir que não poderia andar na roda-gigante
REPRODUÇÃO/ARQUIVO PESSOALO que era para ser um dia de diversão na maior roda-gigante da América Latina se transformou em frustração. Na quinta-feira (8), a influenciadora, palestrante e cadeirante Ana Clara Moniz, de 22 anos, foi convidada para um evento na Roda Rico, localizada no parque Cândido Portinari, na zona oeste de São Paulo.
Entretanto, ela não conseguiu conhecer a atração devido à falta de acessibilidade. O objetivo do evento era apresentar o espaço à imprensa e a alguns convidados antes da inauguração ao público geral. A festa aconteceu no primeiro andar, onde tinha shows e comidas, enquanto a roda-gigante estava instalada no andar superior.
O elevador que dá acesso à Roda Rico não estava funcionando, pois uma peça apresentou problemas técnicos provocados pela chuva que atingiu a capital nos dias anteriores, segundo a organização do empreendimento.
“Eu era a única cadeirante. Todo mundo andou na roda-gigante menos eu. Todo dia eu passo um perrengue diferente. Sempre tenho várias surpresas. Existe uma falta de preocupação com acessibilidade como prioridade”, desabafou a influenciadora, que foi diagnosticada com AME (Atrofia Muscular Espinhal) no primeiro ano de vida.
Ao R7, Ana Clara também contou que esperou durante cinco horas pelo conserto do elevador, que não aconteceu. Ela chegou no espaço às 17h, e a organização do evento avisou somente às 22h que a jovem não conseguiria conhecer a Roda Rico.
A justificativa oferecida foi que a peça tinha “queimado” e não seria possível substituí-la naquele dia. Além disso, não houve preocupação em verificar se o equipamento estava funcionando normalmente, segundo o relato da influenciadora.
Apesar da roda-gigante ter quatro cabines com espaço preparado para cadeirantes, a acessibilidade externa depende do funcionamento do elevador. No dia do evento, frustrada com o tempo de espera e descaso, Ana Clara questionou os organizadores se o equipamento deixaria de funcionar nos dias de chuva.
Para a jovem, a acessibilidade não é tratada de forma prioritária, mas secundária. “Como era a única cadeirante no evento, ninguém pensou em verificar o funcionamento do elevador".
Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Roda Rico afirmou que “a peça já foi substituída, e o elevador está operacional. Além disso, a empresa dispõe de atendimento especial para PCD, que está à disposição para auxiliar em todas as necessidades”.
R7