Novembro Roxo: Projeto do Cariri acolhe famílias com crianças prematuras

Blog do  Amaury Alencar
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 pais de crianças prematuras participaram de um encontro na praça do Giradouro, em Juazeiro do Norte, na manhã deste sábado (19). — Foto: Lorena Tavares/ SVM

pais de crianças prematuras participaram de um encontro na praça do Giradouro, em Juazeiro do Norte, na manhã deste sábado (19). — Foto: Lorena Tavares/ SVM

Na manhã deste sábado (19), pais de crianças prematuras participaram de um encontro especial na praça do Giradouro, em Juazeiro do Norte, interior do Ceará. Eles se reuniram para relatar experiências e acolher famílias que estão vivenciando a prematuridade

O encontro faz parte de um projeto desenvolvido pela psicóloga Julyanne Duarte, que ressignificou a dor da perda do filho prematuro para ajudar outras famílias.

"O projeto surgiu após a morte do meu filho que ficou hospitalizado 66 dias dentro de uma UTI neonatal. Ele nasceu com 24 semanas e 400 gramas. 


Eu percebi a necessidade de toda UTI ter uma psicóloga para dar um suporte emocional pra mãe, pro pai. Para que eles entendessem que nem sempre a prematuridade significa óbito ou sequela. A minha cicatriz passou a ser remédio para o outro. Escrevi o projeto e há quatro anos estamos até hoje trabalhando com ele", explicou Julyane.

 São considerados prematuros os bebês que nascem antes de completar 37 semanas. De acordo com o Ministério da Saúde, são cerca de 320 mil nascimentos prematuros todo ano no Brasil. Em torno de 877 por dia.

Mais do que compartilhar histórias de sucesso, o projeto também tem o objetivo de acolher famílias que ainda estão no hospital. Anualmente é feito um ensaio fotográfico com os bebês hospitalizados e os pais recebem atendimento psicológico.

“Outra coisa que me chamou a atenção na época em que perdi meu filho é que não podia fotografar o bebê na UTI.


 Se eu não tivesse fotografado escondido, eu não teria lembrança dele. Pedi desculpa depois, mas é a única lembrança que eu tenho. Hoje eu faço isso pelos outros”, falou Julyanne Duarte.

Acolhimento

Alene Ferreira e o filho João Miguel, de 6 meses, que nasceu com 25 semanas de gestação. — Foto: Lorena Tavares/ SVM

Alene Ferreira e o filho João Miguel, de 6 meses, que nasceu com 25 semanas de gestação. — Foto: Lorena Tavares/ SVM

Alene Ferreira passou pela experiência da prematuridade. O filho Miguel que hoje está com 6 meses nasceu com apenas 25 semanas.


“Miguel ficou 4 meses internado, 2 deles na UTI. Nasceu com 800 gramas e 37 centímetros. Ele pegou infecção. Hoje eu posso dizer que a nossa fé é imensa, não foi fácil. Sou muito grata. Estou muito feliz por fazer parte desse momento”, relatou a dona de casa.

Paulo Muniz, de 19 anos, nasceu apenas com 5 meses. — Foto: Lorena Tavares/ SVM

Paulo Muniz, de 19 anos, nasceu apenas com 5 meses. — Foto: Lorena Tavares/ SVM

O estudante Paulo Muniz nasceu apenas com 5 meses. Hoje com 19 anos ele diz que se sente um vitorioso. Afirma que carrega uma missão de vida: contar a sua história e trazer esperança para as pessoas.

“Passei muito tempo no hospital. Faço hoje o 4º semestre de Direito. Graças a Deus essa trajetória só me fortificou. Hoje eu me sinto emocionado com tantas histórias e com a missão de dizer que vai dar tudo certo. Não vivi isso só e muitas pessoas me ajudaram nessa trajetória”

Romário Romão, pai de uma criança prematura, também fez questão de participar do encontro.

"Às vezes nós não temos amparo, o que nos leva a aumentar nossa força é apoiar outros pais para que eles se sintam acolhidos e abraçados. Temos limitações, mas nunca deixamos de ter um amor verdadeiro entre pais e filhos”, falou Romário.

Cuidados com bebês prematuros

Pediatra Lilianny Pereira fala sobre cuidados com bebês prematuros

Pediatra Lilianny Pereira fala sobre cuidados com bebês prematuros

A pediatra e neonatologista Lilianny Pereira explica que a prevenção do nascimento prematuro é muito importante. E que tudo começa a partir do pré-natal.

Através do acompanhamento médico é possível identificar doenças na gestante e tratá-las para que a gestação consiga chegar às 37 semanas sem prejuízos ao bebê. A médica também afirma que os bebês abaixo de 34 semanas têm maiores riscos.


“Eles têm maior dificuldade respiratória, podem precisar de suporte respiratório e de ficar em UTI ou berçário de médio risco. Podem precisar de antibióticos. Vai depender muito da idade gestacional, de quanto mais imaturo ele é”, disse a pediatra Lilianny Pereira.


                                G1 CE 

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