O Ceará é um estado rico em cultura e sua capital não fica muito atrás. Fortaleza possui muitas histórias que marcam gerações e uma delas é o Bode Ioiô. Acredito que por menor que seja a história, você já deve ter ouvido falar nesse nome, não é mesmo?
Venha e mergulhe nessa história conosco. Fortaleza é celeiro e palco da nossa cearensidade e da cultura popular. Dito isso, imagine a nossa cidade nos anos de 1915 a 1931, quando pelas suas ruas e praças circulava um simpático Bode, oriundo do interior do Ceará que tinha chegado com um grupo de retirantes da seca. O caprino ao chegar na capital foi logo adquirido por uma empresa chamada “Rossbach Brazil Company” que ficava na antiga Praia do Peixe, a atual Praia de Iracema. Nas suas idas e vindas da Praia de Iracema ao Centro foi logo apelidado de “Ioiô” pela população, pois era considerado símbolo da irreverência popular no começo do século XX. Diz a história que Ioiô vivia como um caprino cidadão, um andarilho pelas ruas da capital. A princípio se limitava à praia e depois por todo canto, levando sua irreverência, seu cheirinho peculiar e a barbichinha mal feita.
O animal possuía muitas histórias inusitadas, afirma o turismólogo Gerson Linhares. Entre elas, sua eleição como vereador de Fortaleza. “Ele era conhecido na época também como Bode Cidadão. Tinha livre acesso a lugares públicos como praças, teatros, cinemas e até cafés. A sua eleição em 1922 foi o auge da sua vida. Foi eleito como o mais votado da capital e teve como cabo eleitoral o Advogado Quintino Cunha”, conclui.
Museu
Para iniciarmos a referência a esse contexto que existe a mais de 90 anos na capital, foi criado um Museu onde retrata melhor essa história para os atuais habitantes que não puderam conviver com essa história naquela época. Inaugurado no dia 24 de agosto de 2022, no Bairro de Fátima, em Fortaleza, o Museu do Bode Ioiô possui três alas especiais, que ao longo da sua existência e suas atividades, serão ampliadas. Atualmente, apenas 20% do acervo está exposto, o restante do material está guardado esperando a ampliação do museu para ficar exposto.
O historiador Pierre de Sousa Grangeiro, fala da importância de um museu regional da cultura cearense. “A importância do Museu do Bode Ioiô se dá pela preservação da própria memória de uma historiografia relacionada ao folclore cearense, como algo que traduz um pouco do espírito e do caráter de um povo. No caso do bode vemos que sua história em si, apesar das anedotas criadas depois e seu estigma mitológico, pode ser visto também como símbolo de uma Fortaleza provinciana do início do século XX, mas que tinha no humor e na crítica aos valores e costumes um traço marcante. E foi um fato que realmente existiu visto que o bode realmente marcou essa época, com sua ousada popularidade e um tom jocoso, que misturava fantasia e realidade, como a imposição de sua candidatura a um posto político, sua fama de beberrão e apreciador do sexo feminino. Isso mostra uma das principais características da nossa cultura que é o lado da molecagem cearense. Sendo assim, um museu em homenagem a essa simbologia é mais do que bem-vindo para esse resgate”, afirma.
O espaço é um projeto sócio cultural e ambiental com a temática do personagem popular, um museu multifacetado, uma linda e criativa homenagem ao personagem Bode Ioiô de Fortaleza, o acervo do museu é traduzido em curiosas peças de artes, artesanatos, fotografias, adornos, literatura popular cordel e publicações com a temática do Bode do Nordeste e em especial o Bode Ioiô viabilizadas com a participação especial de artistas cearenses e nacionais. São mais de 500 peças expostas de artistas nacionais e em especial do Nordeste – a cada dia chegam mais peças. O Museu também conta com cerca de 30 artesãos, 20 cordelistas da capital e do interior que estão viabilizando peças com a temática do Bode do Nordeste para a Bodega do museu.
O equipamento cultural foi idealizado pelo educador, turismólogo e pesquisador cearense Gerson Linhares, que vem pesquisando e coletando boas histórias e peças alusivas ao famoso caprino. Juntamente com o Mascote Bode Ioiô de Fortaleza, os educadores patrimoniais na capital – são também idealizadores do Museu do Caju, e dos Programas Fortaleza a Pé, História Passo a Passo, Trem da História e o Trenzinho da História em parceria com o Centro Cultural Banco do Nordeste pelo Centro Histórico da capital.
O Museu do Bode Ioiô foi instalado no Parque da Liberdade – Cidade da Criança no centro de Fortaleza em parceria com a Secretaria de Turismo de Fortaleza – SETFOR da Prefeitura de Fortaleza. O local também abriga a Casa do Turista, um espaço de informações turísticas para o cidadão e turistas visitantes. O visitante também poderá adquirir na Bodega do Ioiô peças de artes e artesanatos alusivos ao Bode do Nordeste e ao personagem homenageado. O museu recebe em média por dia cerca de 50 visitantes, entre eles, jovens, adultos e alguns idosos. É possível visita-lo de forma individual ou em grupos e seu objetivo principal do Museu do Bode Ioiô é trabalhar a Educação Patrimonial com os cidadãos cearenses e incrementar o Turismo Cultural em Fortaleza principalmente no Centro Histórico com os visitantes.
Homengem ao bode
Em 2023 estimasse que uma estátua do bode seja construida na Praça do Ferreira, lugar onde o caprino mais frequentava em seus 16 anos de vida. Além deste monumento, a equipe do museu pretende organizar a “Festa do Bode” na capital e a implementação do passeio ciclístico intitulado como “Bike Bode” que acontecerá pelas ruas do centro de Fortaleza enriquecendo ainda mais a cultura cearense.
Programação
• Segunda a sábado das 9h às 17h;
• Domingo das 9h às 12h;
• Agendamento prévio para grupos 85 98835-9915;
• Instagram @museudobodeioio;
• Facebook Museu do Bode Ioiô.
Por Ismael Azevedo