Ser mãe já é um desafio enorme, agora: já imaginou ser uma mãe atípica ? A maternidade atípica traz muitos aprendizados para quem vive na pele a luta por acessibilidade e igualdade de direitos na sociedade. Ter um filho com deficiência física, mental ou com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) exige um olhar mais atento e uma dedicação ainda maior, diante dos obstáculos a serem enfrentados durante a vida.
O choque de realidade entre o ideal e o real, desconstrói a romantização criada pela sociedade em torno da maternidade. E nesses casos ter um filho fora dos padrões “normais” traz um peso ainda maior para as mulheres que precisam enfrentar a adaptação dos seus filhos diante da vida social como por exemplo; condições de aprendizado, saúde, educação e acessibilidade diante dos órgãos públicos.Além disso, muitas mães enfrentam a maternidade atípica de maneira solo e sem nenhuma rede de apoio. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem mais de 11 milhões de mães solo no país.
Diante desse cenário, há três anos surgiu em Guaiúba, no interior do Ceará, a ideia de criar um grupo no WhatsApp para tratar de assuntos referentes às dificuldades enfrentadas por mães de crianças com deficiência no município. A princípio a ideia era criar uma rede de apoio e relatar as dificuldades, dúvidas e soluções dos problemas com a acessibilidade. De repente o grupo no aplicativo de conversas, começou a crescer. Logo após uma das idealizadoras do grupo participar de uma audiência pública e relatar o quanto nesses municípios os serviços básicos referentes à saúde, assistência e educação são muito mais difíceis, principalmente para crianças com deficiência, repercutiu nas redes sociais e logo surgiram outras mães para fazer parte do grupo.
Projeto
Raquel Batista, 34 anos, mãe do Benjamin que possui o TEA, Fernanda, 30 anos, viúva e mãe da Ana Esther que tem paralisia cerebral, Kelvianny Benevides, 35 anos, mãe da Maria Luísa que possui o TEA e hiperatividade e Joice Ferrer, 30 anos, mãe da Maria Joana que possui o TEA. Todas essas mulheres idealizaram o projeto ‘Mães que se Apoiam’, que atualmente possui 67 membros e futuramente pretendem se transformar em uma associação.
“Nosso grupo possui 67 mães, e no futuro pretendemos nos tornar uma associação para realizar atendimentos médicos, terapias e o que for necessário, para que essas mães e crianças tenham uma maior dignidade. Ainda não temos espaço, porém esse é nosso sonho.Temos como objetivo, se tornar uma associação com espaço próprio, e realizar atendimentos especializados para nossas crianças, de nosso município, conseguir que elas tenham um lazer,porque no interior é tudo mais difícil. Costumo falar que, se agente não pode mudar o mundo, podemos fazer a diferença em uma pequena parte dele. Somos um grupo apartidário, sem alianças políticas e estamos em busca de direitos para nossas crianças e adolescentes em nosso município.Vamos lutar pela verdadeira inclusão nas escolas, pelos atendimentos humanizados, por direito à cultura, Esporte, lazer”, destaca Raquel, idealizadora do projeto.
As reuniões em grupo, são realizadas uma vez por mês com a presença de todas as mães e alguns convites são encaminhados às Secretarias do município, para que junto com o projeto possam pautar os assuntos importantes para um melhor resultado na vida das crianças com algum tipo de deficiência. A Secretaria de Educação e a Secretaria de Cultura acolheram essa causa e reconheceram a necessidade dessa causa dentro do município para que realmente haja um olhar mais atento.
Transformando vidas
Com a união dessas mães o projeto alcançou destaque e levou o grupo a participar do Congresso Internacional de Autismo no Brasil (CIAB) , como único representante do estado do Ceará. Apesar dessa conquista, o grupo ainda enfrenta muitas dificuldades com doações e apoio. Quando algum membro do grupo passa por uma determinada dificuldade, seja ela financeira ou social, é criada uma rede de apoio e elas se ajudam entre si, para que dessa forma nenhuma mãe se sinta desamparada.
“É importante ressaltar que o grupo nos uniu bastante, apesar da correria do dia a dia, cada um com sua vida pessoal, mas a diferença dos nossos filhos, gerou essa força em nós. Hoje criamos essa amizade e conseguimos ajudar uns aos outros. É como se fosse uma família, dividimos os problemas, dificuldades e sonhos. Temos um sonho de estender esse projeto para a capital cearense, e ajudar outras mães, que assim como nós, lutam pelos direitos dos seus filhos”, afirma Fernanda, idealizadora do projeto.
Passe livre e cestas básicas foram algumas conquistas de mães que fazem parte do grupo. As idealizadoras do projeto ‘Mães que se apoiam’, destacam a importância da visibilidade das ações para que realmente as coisas aconteçam e vidas possam ser transformadas. Para quem deseja ajudar com doações, basta entrar em contato através dos números (85) 98958-3436 ou (85) 98512-1572.
o Estado Ce