O racha na aliança de 16 anos entre PDT e PT no Ceará teria sido promovido pelo ex-ministro e candidato a presidente Ciro Gomes. Segundo Eudoro Santana, pai do ex-governador Camilo Santana (PT), em entrevista à rádio O POVO/CBN, nesta quarta-feira, 28, os partidos estavam trabalhando para um acordo na disputa ao Palácio da Abolição, mas Ciro interveio.
Camilo queria que Izolda Cela (sem partido) fosse sua sucessora, enquanto o PDT votou pelo nome de Roberto Cláudio, ex-prefeito de Fortaleza."O Camilo não está rompido com os Ferreira Gomes, foi o Ciro que rompeu com o acordo que vinha sendo trabalhado para manter a aliança", disse Eudoro. O ex-deputado negou que haja um desacordo envolvendo Camilo e os demais irmãos Ferreira Gomes, especialmente com o senador Cid Gomes (PDT).
Segundo ele, o senador estaria esperando um segundo turno para apoiar publicamente Elmano Freitas (PT), candidato escolhido por Camilo para a disputa pelo Palácio da Abolição. " O Cid tem se preservado e está claro que ele não apoia o candidato do PDT", ressaltou Eudoro. O ex-deputado acredita que, em um cenário de segundo turno, é um "caminho natural" que o PDT e o PT se unam.
Na reta final da eleição, Camilo percorreu as ruas de Sobral em agenda de campanha ao lado de Cid Gomes (PDT) e do prefeito da Cidade, Ivo Gomes (PDT).
O ex-governador do Ceará recebeu apoio dos pedetistas, mesmo que o partido apoie Érika Amorim (PSD), que disputa as eleições de 2022 na coligação que tem Roberto Cláudio (PDT) como concorrente ao Palácio da Abolição. No evento, esteve presente o ex-prefeito do município Veveu Arruda (PT), que é marido da governadora Izolda Cela (sem partido). No início de setembro, Roberto Cláudio esteve no município, mas não contou com a presença nem Ivo nem de Cid em sua campanha.
Em agosto, Ciro Gomes afirmou sentir "dor no coração" com as divergências políticas entre ele e os irmãos, Cid e Ivo. Em entrevista mais recente ao podcast Flow, o candidato à Presidência disse ter levado uma "facada nas costas".
"Dei minha vida ao povo cearense e algumas lideranças, todas que ajudei a formar, se reuniram e meteram a faca nas minhas costas", disse Ciro Gomes na segunda-feira, 26. Para a TV Record, no dia seguinte, Ciro disse que "a facada ainda está doendo" e, por isso, não teria feito campanha no Ceará.
o Povo