Ações da Petrobras caem e bolsa fica abaixo de 100 mil

Blog do  Amaury Alencar
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 As ações da Petrobras tiveram forte queda na última sexta-feira (17), puxando a Bolsa de Valores brasileira para o fundo e piorando o fechamento de uma semana já negativa para o mercado diante da alta histórica dos juros nos Estados Unidos.


Depois de recuarem cerca de 10% nas cotações mínimas do dia, os papéis ordinários (PETR3) e preferenciais (PETR4) da petrolífera controlada pelo governo federal fecharam o pregão com perdas de 7,25% e 6,09%, respectivamente.
A PETR3 caiu ao seu menor valor neste ano, R$ 29,92, abaixo do piso de R$ 30,57 registrado em 6 de janeiro.
Críticas de políticos ao aumento nos preços dos combustíveis aplicado pela companhia pesaram no desempenho dos papéis da empresa nesta sessão.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que a Petrobras “pode mergulhar o Brasil num caos”. Já o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que “vai para o pau” para “rever tudo de preços” e que vai trabalhar para taxar o lucro da petroleira.
O Ibovespa tombou 2,90%, aos 99.824 pontos. Essa é a pontuação mais baixa para um fechamento do índice de referência da Bolsa desde o início de novembro de 2020, última vez que o indicador havia ficado abaixo dos 100 mil pontos.

No acumulado desta semana, o Ibovespa mergulhou 5,36%, registrando a maior perda semanal desde a queda de 7,28% em outubro do ano passado.
Refletindo o movimento de aversão ao risco no mercado doméstico, o dólar comercial subiu 2,32%, cotado a R$ 5,1460 na venda.

Projeções da Ativa Research consideram que o reajuste da gasolina reduz a defasagem do preço nas refinarias brasileiras de 41% para 34% em relação aos custos no exterior, considerando os atuais preços internacionais e a taxa de câmbio.
“O reajuste deveria, de alguma maneira, melhorar a perspectiva sobre a companhia. O fato é que, em ano eleitoral, políticos de alto escalão, do Legislativo e Executivo, já fizeram fortes afirmações, gerando receios sobre o futuro da empresa”, comentou Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa.
Engrenagem central do motor da inflação global, o preço de referência do petróleo bruto subiu cerca de 50% neste ano.

A alta é atribuída à Guerra da Ucrânia e suas consequências, como os embargos à matéria-prima da Rússia, e à decisão da Opep (cartel de países produtores) de aumentar lentamente a oferta mesmo diante do crescimento da demanda após diversos países reduzirem restrições contra a Covid.
No final da última sexta, porém, o preço caía 5,54%, com o barril do Brent cotado a US$ 113,17 (R$ 580,64). A queda no dia é atribuída à expectativa de resfriamento da demanda após a alta dos juros nos Estados Unidos ampliar riscos de uma recessão global.

Em Nova York, o mercado de ações ensaiou uma modesta recuperação. O índice de referência S&P 500 subiu 0,22%, enquanto o Dow Jones caiu 0,13%. O indicador focado no setor de tecnologia Nasdaq avançou 1,43%.
A turbulência do mercado local nesta sexta também contou com uma parcela de ajustes de investidores à forte queda das bolsas internacionais na véspera, quando os ativos brasileiros não tiveram negociações devido ao feriado de Corpus Christi.

Os mercados de ações globais mergulharam em pessimismo nesta quinta-feira (16), um dia após o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) ter confirmado um aumento de 0,75 ponto percentual da sua taxa de juros. É a maior alta aplicada pela autoridade monetária dos Estados Unidos desde 1994.

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