Com assinatura do Brasil, cerca de 100 países se comprometem a cortar em 30% as emissões de metano até 2030

Blog do  Amaury Alencar
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 Governos de cerca de 100 países, incluindo alguns dos maiores emissores do planeta, confirmaram um compromisso com a redução de 30% das emissões de metano até 2030, em uma iniciativa considerada urgente, em se tratando de um dos gases que mais contribuem para o aumento da temperatura do planeta. O acerto ocorreu na Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, a COP-26, em Glasgow. A redução é relativa aos níveis observados em 2020.

A participação do Brasil no compromisso foi vista com certa surpresa por ambientalistas, uma vez que não havia sido anunciada de maneira oficial — uma das poucas sinalizações sobre isso foi uma publicação no Twitter da conta do Itamaraty, na tarde de segunda-feira, afirmando que o país se uniria à iniciativa, considerada “crucial” pelo presidente americano Joe Biden. Hoje, ao G-1, o Ministério do Meio Ambiente confirmou a adesão. Na segunda-feira, o Brasil, que chegou à COP-26 sob pressão por seu passivo ambiental, também aderiu a um acordo de mais de 100 países que promete zerar o desmatamento até 2030.

— Nós precisamos agir para reduzir nossas emissões de metano o mais rápido possível. Juntos, estamos nos comprometendo em reduzir nossas emissões em 30% até 2030. Hoje, nações responsáveis por cerca da metade de todas as emissões de metano no mundo assinaram esse acordo, e ele fará uma grande diferença — afirmou Biden, um dos principais defensores da iniciativa, em discurso na COP-26. — Essa é uma das coisas mais importantes que podemos fazer nessa década decisiva para alcançarmos a meta de 1,5 grau.

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O plano é uma ampliação de um acordo anunciado pelos EUA e pela União Europeia (UE) no dia 17 de setembro, quando Bruxelas e Washington defenderam a redução, até o final da década, de 30% das emissões de metano, geradas em parte pelas atividades agropecuárias. À época, o presidente americano apontou os benefícios ao clima e à saúde das pessoas, e sinalizou que ações para mitigar as emissões, como o desenvolvimento de novas tecnologias, poderiam criar milhares de empregos.

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Inicialmente, o plano reuniu, além dos EUA e da União Europeia, Argentina, Gana, Indonésia, Iraque, Itália, México e o Reino Unido, mas agora, com a expansão, o acordo reúne países responsáveis por metade de todas emissões globais de metano — por outro lado, Índia, China e Rússia, apontados como os três países que mais emitem o gás no planeta, não assinaram o compromisso.

— Nós não podemos esperar até 2050, precisamos cortar emissões rapidamente, e o metano é um gás cujas emissões podem ser cortadas rapidamente. Cerca de 30% do aquecimento global é provocado pelo metano, e as emissões estão aumentando mais rapidamente do que qualquer momento do passado — declarou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. — Cortar o metano é uma das coisas mais eficientes que podemos para atingir a meta de limitar o aquecimento do planeta em 1,5ºC.

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o metano tem um potencial de aquecimento atmosférico quase 28 vezes maior do que o do dióxido de carbono em um período de 100 anos. Embora tenha uma concentração no ar muito menor, ele é responsável por 30% do aquecimento do planeta desde o período Revolução Industrial, e suas emissões vêm crescendo exponencialmente nas últimas décadas.

Embora haja emissões naturais de metano, a ONU aponta que 60% delas vêm de atividades humanas, notadamente a produção e queima de combustíveis fósseis para a produção de energia, agropecuária e a gestão do lixo. Contudo, como reiteraram os líderes em seus discursos na COP-26 nesta terça-feira, há meios eficientes de reduzir as emissões dentro do prazo estipulado, contribuindo para o controle do aquecimento do planeta e ajudando a própria economia.

Como declarou Biden em seu discurso, e como também o fizeram integrantes do alto escalão de Washington, a necessidade de cortar as emissões vai “promover a inovação e a fabricação de novas tecnologias” neste setor, promovendo a criação de milhares de empregos.

Apesar de enfrentar obstáculos dentro dos EUA na aprovação de um pacote socioambiental trilionário, o presidente americano foi à Escócia disposto a marcar uma posição de liderança na questão climática, ponto central de seu plano de governo, depois de quatro anos de negligência por parte do governo de Donald Trump.

(*) Com informações Agência O Globo

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