Amoedo culpa "bolsonarismo" por desfiliações e aponta necessidade de melhorias no Novo

Blog do  Amaury Alencar
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JOÃO AMOEDO (foto: Divulgação)
JOÃO AMOEDO (foto: Divulgação)


Após quase dois anos fora da executiva nacional do Novo e no momento em que o partido vive uma crise de filiações, João Amoêdo avalia que a sigla enfrenta um dos piores cenários desde sua fundação. Em entrevista à rádio O POVO CBN nesta segunda-feira, 4, o ex-presidenciável disse faltar ao Novo uma unidade de posicionamento frente ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Segundo o empresário, a legenda não vem atuando com “unidade de pensamentos e princípios”, distanciando-se, assim, do caráter institucional. “Hoje, infelizmente isso não acontece, pois o próprio bolsonarismo fez com que a gente tivesse essa perda no Novo. Mas, espero que a gente entenda que tem que haver uma visão a longo prazo, sem cálculos eleitorais, e obviamente, o Bolsonaro não tem nada a ver com os valores e princípios que a gente adota no Novo, um ambiente democrático e com respeito pelas pessoas”, disse.

No mês passado, o empresário Christian Lohbauer, que foi vice de Amoêdo na chapa presidencial de 2018, anunciou a sua desfiliação e disse que o Novo "se perdeu completamente na administração do partido". Atrelado a isso, a sigla também vive uma uma crise de filiados. Em um ano e meio, a sigla perdeu cerca de 10 mil apoiadores, uma redução de 21%. "Teve uma saída de filiados porque uns viam o partido como oposição e outros viam como situação, e isso acabou gerando perdas", destaca. 

A postura de oposição ao governo federal, segundo Amoêdo, não está sendo acompanhada pela totalidade dos diretórios pelo Brasil. “Nos últimos tempos, eu acho que faltou ao partido uma unidade em relação ao posicionamento frente ao governo Bolsonaro. Apesar do partido ter se colocado como oposição, os seus principais mandatários não adotaram essa atuação. Isso acabou gerando uma perda de identidade, na minha avaliação do Novo”, disse.

Há duas semanas, Amoêdo pediu para voltar à direção do Novo, partido que ajudou a fundar e pelo qual foi candidato à Presidência em 2018. O ex-presidenciável se colocou "à disposição para retornar, de imediato" ao comando e, assim, ajudar na "consolidação partidária e no pleito de 2022". O retorno, no entanto, foi rejeitado pelo Diretório do partido.

Ainda sem interesses de abandonar o partido, Amoêdo destaca a necessidade de melhorias na gerência da sigla, onde ele ainda se coloca à disposição para ajudar no processo, inclusive para construção de uma terceira via nas eleições de 2022. “Continuo filiado e quero ajudar o partido a dar certo e a gente voltar a um protagonismo que já foi maior. Uma terceira via ainda não se viabilizou e isso vem muito da divisão que vem de dentro dos próprios partidos em relação ao governo”, avalia.

A divisão interna no partido acontece com os mandatários que apoiam o presidente, especialmente na bancada federal e em Minas Gerais, estado governado por Romeu Zema. Para Amoêdo, do "ponto de vista pragmático", seria "razoável" para um gestor não fazer tanta oposição ao governo. Porém, ele reforçou a necessidade de procurar novas lideranças. 

"Quando pensamos no partido, a ideia era fazer nova lideranças e novos formadores de opinião para a política. Então, acho que nós não podemos nos limitar a unicamente sermos uns gestores dentro do estado. Eu entendo que há necessidade, sim, de posicionamento político. E acho que o governador (Zema) tem o direito ele, mas ele tem procurado se eximir da necessidade de renovação na política", conclui o empresário.


                        o Povo 

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